Opinião

Desigualdade voraz

25 jan 2019 00:00

Em 2018, a riqueza dos mais de 2200 “bilionários”, que existem globalmente, aumentou 2,5 mil milhões de dólares por dia.

As 26 pessoas mais ricas do mundo têm uma riqueza equivalente a metade da população global. Este é um dado publicado pela Oxfam, num relatório que marca o início do Fórum Económico Mundial em Davos.

Segundo esta mesma organização de beneficência, um imposto de 1% sobre a riqueza arrecadaria cerca de 418 mil milhões de dólares por ano - o suficiente para educar todas as crianças que não frequentam a escola e evitar três milhões de mortes.

Em 2018, a riqueza dos mais de 2200 “bilionários”, que existem globalmente, aumentou 2,5 mil milhões de dólares por dia. O aumento de 12% na riqueza dos mais ricos contrastou com uma queda de 11% na riqueza da metade mais pobre da população mundial.

Muita da insatisfação que alimenta as tensões e revoltas populares (por exemplo “coletes amarelos”) e o ressurgimento dos nacionalismos está ligada à estagnação económica e a um mundo desigual, onde os mais ricos e poderosos definem as regras (muitas vezes a justiça tem, em boa parte do mundo, efetivamente dois pesos consoante a medida da carteira do cidadão) e conseguem muitas vezes manipular os mais pobres a fazer escolhas contra os seus próprios interesses (os EUA são o exemplo máximo desse paradoxo).

O problema nem é o sistema capitalista como um todo, já que foi ele que permitiu que cerca de metade dos países do mundo tenha hoje taxas de pobreza abaixo de 3%. Nos anos de 1990 a 2015, a taxa de pobreza extrema caiu a uma média de um ponto percentual por ano - de quase 36% para 10% (dados do Banco Mundial).

Simultaneamente, no período de 2008 a 2018 a taxa de mortalidade infantil global caiu de 5,8% para 3,9% e a esperança média de vida aumentou dos

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