Opinião

Desafios para 2017

6 jan 2017 00:00
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Nuno Reis, professor e investigador

O início de cada ano é o momento certo para perspetivar o que vem pela frente. Também é o momento de fazer promessas (ir ao ginásio todos os dias e deixar de fumar estarão certamente no topo da lista) mas como não duram até ao Carnaval vamos deixá-las.

Apesar do espírito de recomeço, a realidade que vem dos anos anteriores muitas vezes deixa as alternativas muito condicionadas. Um dos desafios que se colocam é o início da administração Trump.

Depois de tomar posse a 20 de Janeiro começar-se-á então a compreender que parte do discurso é oco e inconcretizável e que parte é para levar a sério.

Se algumas questões, como o muro a separar do México ou expulsar todos os muçulmanos dos EUA, parecem risíveis e pouco passíveis de implementação, outras parecem perigosamente exequíveis.

De destacar a retirada dos EUA dos acordos climáticos – o que na prática pode significar o fim dos acordos e ter consequências dramáticas para o mundo – e a alteração da política internacional, retirando importância à NATO e aproximando-se da Rússia, o que deixa os países europeus mais vulneráveis.

Medidas protecionistas da economia não deverão ser implementadas já que os principais decisores da administração Trump vêm das grandes empresas que têm tudo a ganhar fazendo parte dos blocos comerciais.

Outro desafio é a sucessão de eleições na Europa (França, Itália, Alemanha, entre outros) que poderão trazer alterações nos equilíbrios de poder. Em França a eleição de Marine Le Pen parece provável, o que significa a chegada da extrema-direita ao poder num país central da UE.

A extrema-direita também deverá ter um bom resultado na Alemanha o que obrigará Merkel a políticas mais agressivas.

*Professor e investigador

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(o autor escreve segundo as regras do "Acordo" Ortográfico de 1992)