Opinião

De direita? Deus me livre!

12 ago 2017 00:00

A discussão em torno da dicotomia direita e esquerda em Portugal tem-se resumido à dimensão que o Estado deve ter e quase sempre a propósito de casos e casinhos.

Sobre o papel e as funções que deve assumir e o modelo de sociedade que preconiza, pouco ou nada se tem refletido. Aliás, poucas pessoas falam até de quão redutor é dividir os quadrantes políticos em apenas esquerda/direita, confundindo conceitos económicos com conceitos de direitos individuais.

Há razões históricas ainda do tempo da outra senhora que justificam que seja hoje embaraçoso ou complicado para muitos assumirem-se como de direita. É que a isto junta-se a convicção generalizada de que a sociedade portuguesa é de esquerda, ainda que muitos nem saibam sequer o que isso significa.

Por isso, assistimos ao triste espetáculo de haver quem, por tacticismo da matemática eleitoral, vista as vestes que não são suas.

A profundidade da discussão ideológica que temos tido em Portugal resulta no estereótipo de que de direita só virão os conservadores, ou na gíria, os botas de elástico, tipicamente católicos, se forem adeptos de tourada tanto melhor, e os maiores destruidores e opositores do estado social.

Aliás, segundo estes seres iluminados, em primeiro lugar, se se é de direita, por maioria de razão, não existe sequer sensibilidade social ou preocupação com as pessoas, o que é ridículo, até a ver pelos espectros políticos dos países mais desenvolvidos (comparativamente com as experiências de sociedade em regimes de esquerda pouco moderada).

 

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