Opinião

CULTURA, UNIVER(CIDADE) E (DES)ENVOLVIMENTO - XI

16 nov 2016 00:00
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Ricardo Vieira, professor decano do Politécnico de Leiria

Universidades a mais mas não em todos os sítios… Leiria ainda não a tem.

Escrevo, hoje, à volta de dois comentários que me chegaram relativamente ao meu texto da semana passada.
O primeiro dizia que já tínhamos universidades a mais. Errado.

Respondi que talvez sim mas só se fosse em Lisboa ou noutras grandes cidades, onde há várias. Que Leiria ainda não tinha nenhuma universidade e que o desenvolvimento integrado não pode apostar apenas nos grandes centros urbanos.

Urge desenvolver as cidades periféricas para que potenciem o desenvolvimento sustentável das regiões onde se inserem.

Até porque uma coisa remete para a outra. Pensem no que era a cidade de Braga antes de ter Universidade. Pensem em Aveiro de hoje e em Aveiro antes de ter universidade. Que diferença brutal, não acham? E, mais a mais, Aveiro estando mais perto de Coimbra (60 Km pela A1), conseguiu a sua Universidade.

Já Leiria, a 78 Km de Coimbra (A1) e a 140 Km de Lisboa não se conseguiu ainda afirmar politicamente e exigir equidade e justiça face ao trabalho desenvolvido pelo IPLeiria.

O segundo comentário referia que a Universidade de Leiria não era uma prioridade. Ora, para mim e para muitas forças vivas da região, que já fizeram ouvir as suas vozes, ela vai a par com todo um projeto que tem de ser integrado: Leiria tem que atrair grande eventos desportivos,  espetáculos, eventos culturais, turismo, estudantes para todos os ciclos de ensino e isso passa pela rede ferroviária, acesso rápido à linha do Norte, aeroporto de Monte Real e tudo ligado, naturalmente, à candidatura de Leiria a Capital da Cultura. Leiria estagnará se não vier a conceder doutoramentos na sua universidade.

Os “cérebros” buscarão outras paragens. Este mesmo comentário referia que entendia bem o papel dos Politécnicos. Eu também, mas não de forma segregadora e separatista relativamente às Universidades como acontece em Portugal. Por que razão nas Universidades do Algarve e de Aveiro, os docentes da carreira politécnica concorrem, logo que podem, para o subsistema universitário, fugindo tal qual o diabo foge da cruz? Alguém me sabe responder?

Mais do que uma vez aqui disse que defendo uma Universidade em sistema único mas em que possam coexistir cursos de natureza universitária a par dos de natureza politécnica. Com igual legitimidade e valor social, com diploma emitido pela mesma reitoria.

E, por outro lado, com um único estatuto dentro da Instituição de Ensino Superior (IES) para os docentes, havendo similares exigências docentes e investigativas.

Por isso, uma vez mais, por uma Universidade de Leiria, uma universidade não técnica, não politécnica, não de ciências aplicadas… Quanto mais classificação e diferenciação maior a confusão e a discriminação!

Por uma Universidade em Leiria, a região onde mais se justifica a sua criação e onde há densidade demográfica, empresarial e organizacional, e onde há procura que fez crescer Leiria, Leiria que precisa de ir mais longe no trabalho em rede na região para se afirmar [e exigir] no contexto nacional e internacional.

Juntos poderemos ir lá. "Longe é um lugar que não existe" (Richard Bach)

"É MELHOR MERECER AS HONRAS SEM RECEBÊ-LAS DO QUE RECEBÊ-LAS SEM MERECÊ-LAS." (Mark Twain)

Professor Decano do Instituto Politécnico de Leiria
Professor Coordenador Principal ESECS-IPLeiria e CICS.NOVA.IPLeiria

(O autor do texto escreve segundo as regras do Acordo Ortográfico de 1990)