Opinião

CULTURA, UNIVER(CIDADE) E (DES)ENVOLVIMENTO - V

4 out 2016 00:00
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Ricardo Vieira, professor decano do Politécnico de Leiria

As instituições, organizações e sistemas sociais são como organismos vivos

As instituições, organizações e sistemas sociais são como organismos vivos: nascem, adaptam-se, obedecem, transgridem, (des)envolvem-se e morrem.

A ESEL-Escola Superior de Educação de Leiria, a escola mais antiga do IPL - Instituto Politécnico de Leiria, nasceu para fazer formação de professores do ensino básico e de educadores de infância, na continuidade das antigas escolas do magistério primário. Iniciou a sua atividade letiva em 1985, nascendo antes do IPL, que integrou a partir de 1987. Não tinha mais que umas escassas dezenas de estudantes. Hoje tem cerca de 2000 estudantes.


Na viragem do milénio, os estudantes de novos cursos, que não da formação de professores, eram já em número muito superior a estes.

A ESEL, depois de se abrir, em 1983, às Relações Humanas e Comunicação no Trabalho (RHCT), transformado em RHCO, em 2006, com a adequação ao processo de Bolonha, assistiu ao boom do desenvolvimento das ciências sociais de cariz mais aplicado: licenciaturas em Comunicação Social e Educação Multimédia (CSEM); Serviço Social, Educação Social, Animação Cultural, Desporto e Bem-Estar, Tradução e Interpretação em Português-Chinês/Chinês-Português, isto para além dos inúmeros mestrados incluindo os da formação de professores e outros mais de índole social, desportivo e comunicacional, a par dos novos cursos CTeSP (Cursos Técnicos Superiores Profissionais).


Por isso a ESEL se reconfigurou identitariamente em ESECS. O conteúdo já estava mudado mas o nome era bastante redutor. A instituição soube dar o salto no momento certo para outras áreas de formação, o que levou ao incremento de novas áreas de investigação, novos doutoramentos e novas contratações docentes.

Maior crescimento e desenvolvimento para a escola, para o IPL e para a região. A instituição soube gerir e agir, com antecipação, relativamente ao excesso de formação de professores que se fazia então notar.

Foi a primeira ESE do país a mudar de nome. Seguiram-se outras, com nomes semelhantes, tendo, mais recentemente, a ESE de Portalegre optado por adotar o mesmo nome: ESECS-IPPortalegre.

O eterno medo da novidade que se instalou no início deste seculo, com as primeiras discussões e votações, não colheu qualquer prejuízo. Pelo contrário, a ESECS é, hoje, sem dúvida alguma, uma escola de referência na área das Ciências Sociais, a par de outras áreas, tendo mesmo implementado a primeira licenciatura portuguesa em serviço social, no ensino público, entre outro feitos históricos em que tem sido pioneira.

A ESECS-IPLeiria ocupou todas as vagas dos cursos diurnos com a 2.ª fase de candidaturas

A ESECS, a escola de educação do país que mais cursos de licenciatura tem na área social e afins, ocupou agora todas as vagas dos cursos diurnos com a 2.ª fase de candidaturas.

Em termos de colocações, uma vez que falta ainda terminar as matrículas, a ESECS-IPL é a única Escola Superior de Educação do país, incluindo a que está integrada no subsistema Politécnico da Universidade do Algarve, que ocupou todas as vagas disponibilizadas pela CNAES (Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior) para cursos diurnos.

Saberá o leitor disto? E quantos pensarão, ainda, que na “escola azul”, aquela atrás da CMLeiria, só se formam professores e educadores de infância?


"É MELHOR MERECER AS HONRAS SEM RECEBÊ-LAS DO QUE RECEBÊ-LAS SEM MERECÊ-LAS." (Mark Twain)

*Professor Decano do Instituto Politécnico de Leiria
Professor Coordenador Principal
ESECS-IPLeira e CICS.NOVA.IPLeiria


(O autor escreve segundo as regras do Acordo Ortográfio de 1990)