Opinião

CULTURA, UNIVER(CIDADE) E (DES)ENVOLVIMENTO - I

6 set 2016 00:00
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Ricardo Vieira, professor decano do Politécnico de Leiria

Novo ano letivo, e académico, e de novo a reflexão sistemática também sobre a nossa região, a nossa cultura e a nossa educação. Espero que tenham tido boas férias.

Leiria Capital Europeia da Cultura 

Gostei da entrevista feita ao professor João Bonifácio Serra, publicada no Jornal de Leiria de 25 de agosto de 2016. Das perguntas e das respostas. Mas há um equívoco que convém corrigir: o entretenimento não é separável da cultura. Nem da cultura erudita nem da cultura popular, nem da cultura antropológica nos seus milhares de definições. 

Não se pode criticar a falta de trabalho em rede, por parte de instituições como o IPLeiria, o Nerlei e outras, no tocante à cultura da cidade e da região, e distinguir, depois, ou, melhor, excluir, o que é indivisível e inseparável. Uma vez mais a questão da universidade – Univer(cidade) de Leiria como peça fundamental na criação cultural. Ela tem de ser parte do projeto global de “Leiria Capital Europeia da Cultura”, nestes 10 anos, se quisermos mesmo ganhar 2027.

Guimarães tinha mais união das partes com o todo e tinha a Universidade de Braga por detrás, que aí tem um campus universitário (campus de Azurém) que muito contribuiu para a atratividade populacional e para a construção de uma identidade coletiva forte que se juntou à consciência coletiva de “cidade berço”. 

A escolha dos amigos ou a escolha dos melhores?

Quatro décadas após o 25 de Abril, o caminho da “cunha” continua a ganhar ao da ética da equidade e do respeito pelos saberes e competências. Raramente as instituições escolhem e premeiam, verdadeiramente, os melhores. A endogamia local vai marcando muitos pontos mas o (des)envolvimento vai somando derrotas. O caso recente do Luís, o filho de DD, é, entre muitos outros, neste tempo de recarga de baterias, um exemplo paradigmático da sociedade fingidora que habitamos. Exemplo de uma sociedade que apregoa a democracia e a igualdade de oportunidades sem fazer muito para as desenvolver. Um mau exemplo, portanto!

Urge escolher os melhores, premiar os melhores, avaliar tudo e todos e tirar daí consequências. De contrário, não teremos equipa, nunca, nem (para) olímpicos, nem para mundiais, nem para univer(cidade)s nem para lutarmos pela Leiria Capital Europeia da Cultura.

A vitória de Portugal do campeonato europeu de futebol está ainda por explicar e compreender bem. 

"É MELHOR MERECER AS HONRAS SEM RECEBÊ-LAS DO QUE RECEBÊ-LAS SEM MERECÊ-LAS." (Mark Twain)

*Professor Decano do Instituto Politécnico de Leiria

*Professor Coordenador Principal ESECS-IPLeira e CICS.NOVA.IPLeiria

(O autor escreve segundo as regras impostas pelo Acordo Ortográfico de 1990)