Opinião

Corre, corre

28 mai 2017 00:00
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Luís Mourão, dramaturgo

É um grande mistério a forma como encadeamos referencias e ideias umas nas outras e assim descobrimos coisas novas, só porque as olhamos de outro modo.

Mas é compulsivo e ainda por cima quase sempre divertido.

Por exemplo: Antonin Artaud (1896 – 1948), um dos grandes tributários das teorias que suportam as práticas dramáticas contemporâneas e objecto de reflexão inevitável para todos aqueles que pensam as artes cénicas em cima ou fora de um palco nos últimos 60 anos, recebeu uma bolsa que lhe permitiu viajar para o México em 1936.

Viveu lá cerca de um ano, parte dele entre os índios Tarahumara. Descreveu esta sua alucinante experiência um livro. E porque Artaud nunca está muito longe de mim há muitos anos, os Tarahumara também não. Eles são corredores de longa distância, desde muito pequenos que correm pelas montanhas onde vivem e ligam-se uns aos outros correndo permanentemente.

São, suponho, os únicos caçadores que conseguem capturar as suas presas sem armas, correndo atrás delas até o animal cair exausto. São tratados de forma indigna pelo poder e condenados à sobrevivência no limite da humanidade por parte significativa da sociedade – ameríndio é índio, tanto faz que corra como não, que seja do norte ou do sul.

*Dramartugo

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