Opinião

Conto de Verão

15 set 2017 00:00
patricia-antonio-psicologa
Patrícia António, psicóloga

Sempre admirei e valorizei aquelas famílias que, reunidas debaixo do chapéu de praia, trocavam carícias e confidencias intermináveis em tardes de sol.

Inveja da cumplicidade e partilha, que ao longe e discretamente observava. A cumplicidade entre marido-mulher, pais-filhos, avós-netos, irmãos-irmãs, comprovada nas gargalhadas, nas crianças a brincar em redor e nas horas de histórias e peripécias contadas a olhar o mar.

Hoje estou na praia com a minha família. Fazemos castelos encantados de príncipes e princesas, damos mergulhos, contamos histórias e fazemos leituras. E numa das minhas leituras de Verão, um artigo muito interessante sobre o apego e a vinculação. Com este cenário de fundo e, em jeito de associação livre, registei algumas notas para partilhar.

Todos nós precisamos de ter vivido um amor incondicional, de encantamento e deslumbramento por nós, que nada pediu em troca, nem exigiu retribuição. Por isso, a vinculação (o apego do filho aos pais) não resulta de um conjunto de “truques” que se possam ensinar.

É fruto da relação dos pais ao serviço da regulação e exploração da emoção do seu bebé, que se traduz depois na confiança profunda e permanente que o bebé tem na disponibilidade e capacidade de resposta do seu cuidador e, quando desajustes ocorrem, na sua capacidade em repará-los.

Para tudo isto resultar numa vinculação segura, por isso forte, constante e de qualidade, é a disponibilidade, sensibilidade, sintonia e orientação do cuidador às necessidades e emoções das suas crias que conta. E conta muito, porque este vínculo precoce afecta a qualidade dos relacionamentos afectivos vida fora.

Quem cresce em famílias quentes, seguras e de muito colo, como aquelas que ainda hoje gosto de observar na praia, cresce mais em autonomia, em segurança, em independência e mais propenso está a relações íntimas seguras e saborosas.

 

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