Editorial

Começar o ano em grande!

8 jan 2026 10:15

A mais abundante droga que brota do solo da Venezuela é o petróleo

Entre aplausos, críticas e um novo encolher dos líderes da União Europeia, Donald Trump e o movimento MAGA (Make America Great Again) que o apoia, fizeram o que prometeram ao eleitorado que jamais fariam: intervir em solo estrangeiro.

O presidente dos Estados Unidos que, ao arrepio da legalidade e do Congresso norte-americano ordenou a captura de Nicolás Maduro, espetou mais um prego, o maior até agora, na ordem internacional que notáveis líderes do seu país ajudaram a construir nos últimos 80 anos.

Enterrou também mais um bocadinho o punhal com que começou a ferir o peito da ONU, desde que foi eleito pela primeira vez.

Deixem-me que faça aqui uma declaração prévia, não vá alguém, menos formado e informado, entender que defendo ditaduras ou sequer aquilo que Maduro e os seus comparsas fizeram ao povo da Venezuela.

Todas as ditaduras, sejam de direita ou de esquerda, são abomináveis, tal como o são os regimes iliberais, liderados por quem se dedica a atacar as democracias europeias e a prometer (e fornecer) acesso ilimitado a redes sociais, desinformação e milhões de dólares de financiamento.

Feita a ressalva, é muito preocupante que um país, que supostamente é um dos pilares da democracia e do iluminismo, ignore a ONU e decida ser juiz e carrasco por conta própria, ao abrigo da desculpa da suposta produção e tráfico da droga fentanil, que toda a gente sabe que é falsa.

A mais abundante droga que brota do solo da Venezuela é o petróleo e este ouro negro produz um chamamento a Trump tal como o vil metal fazia aos conquistadores espanhóis, que padeciam de uma doença incurável, cuja panaceia era o ouro.

Quando veremos as Spetsnaz russas raptarem Zelenskyy, Starmer ou Donald Tusk?

Graças a Trump, para os ditadores deste mundo, agora tudo é justificável.

Esperemos que, ao contrário daquilo que o bom-senso, os comportamentos do passado recente e a fria lógica nos fazem prever, a captura de Maduro seja, efectivamente, o início e o retorno a um tempo de liberdade e prosperidade para a Venezuela.

Na edição desta semana, ouvimos o que pensam os venezuelanos da captura de Maduro e das esperanças para o seu país.

Falámos também com o jornalista Carlos Daniel. Sem tabus, falou da desinformação e das redes sociais, admitindo que não está optimista, perante o alheamento dos jovens que preferem viver numa espécie de transe acordado, dominado por cinema, séries e futebol.

O impacto da IA na criação de informação é outro problema que considera um desafio para a sociedade e assegura que a maior ameaça ao jornalismo sério, competente e independente é o modelo de negócio.

“Temos sido dominados por uma cultura anglo-saxónica, mas nada impede que o sejamos por uma cultura asiática ou por uma cultura do Médio Oriente.”