Opinião
CMEP 2026 - IV Edição
Estes dois momentos inaugurais anunciam um ciclo que se pretende espaço de descoberta e escuta ativa, celebrando práticas artísticas que desafiam fronteiras e expandem as possibilidades da música portuguesa contemporânea
O arranque do Ciclo de Música Exploratória Portuguesa 2026 acontece a 2 de maio, a partir das 18h00, na Igreja da Misericórdia (CDIL - Centro de Diálogo Intercultural de Leiria), com dois concertos que espelham a vitalidade e a diversidade da criação contemporânea nacional.
A abrir a programação, apresenta-se Turning Point, coletivo sediado em Santa Maria da Feira, formado por Simão Valinho, Lígia Lebreiro e Raquel Sousa, que afirma uma abordagem híbrida entre música, poesia e performance. Com dois álbuns editados pela Anti-Demos-Cracia — Porque A Lua Se Quebrou (2025) e A Poesia É Para Comer (2026), este último a partir de textos de Natália Correia — o trio explora um território onde o fado, a electrónica, a música experimental e o spoken word coexistem de forma orgânica.
A sua proposta convoca o público para um espaço intermédio entre o recital, a instalação sonora e o teatro musical, revelando um pensamento estético singular e inquieto.
Depois seguir-se-á Calcutá, projeto de Teresa Castro, cujo recente álbum de estreia, Soon After Dawn, editado em vinil pela Ovo Estrelado, marcou um momento significativo no início do ano.
Com um universo sonoro que cruza folk, drone e electrónica, Calcutá constrói paisagens hipnóticas feitas de repetição, silêncio e densidade tímbrica. Em palco, Teresa Castro (guitarra, harmónio, voz e electrónicas), acompanhada por Maria Amaro (contrabaixo, voz, teclado) e Luís Barros (percussão, bateria, melódica), propõe uma experiência envolvente onde o tempo parece suspender-se e a escuta se torna profundamente sensorial.
Estes dois momentos inaugurais anunciam um ciclo que se pretende espaço de descoberta e escuta ativa, celebrando práticas artísticas que desafiam fronteiras e expandem as possibilidades da música portuguesa contemporânea.
Para ajudar a atenuar o eventual afastamento cultural causado pelas despesas que a tempestade Kristin trouxe a tantas famílias, a Fade In - Associação de Acção Cultural, entidade responsável pela curadoria e organização, decidiu que os dez concertos que integram a programação completa da sexta edição do ciclo têm entrada gratuita.