Opinião

Cinema | 28 Years Later: The Bone Temple

13 mar 2026 08:56

Sabe incrivelmente bem ver este filme chegar tão cedo. Fica apenas uma sensação dominante: quero mais, e quero já

Mais do que zombies, mais do que horror, 28 Years Later: The Bone Temple (2026) confirma, mais uma vez, que esta saga nunca foi apenas sobre zombies. Há algo de profundamente singular nestes filmes – uma combinação rara de emoção, densidade narrativa e rigor estético que os afasta claramente do cinema de género mais descartável.

Aqui, essa identidade volta a afirmar-se com força, muito graças à escrita de Alex Garland e à realização segura de Nia DaCosta, que entregam mais uma obra marcante. Ralph Fiennes, já em destaque no filme anterior, atinge um nível especial, com uma presença intensa e quase hipnótica.

A direção de fotografia mantém o padrão elevado da saga. A câmara é inquieta, próxima, sempre colada às personagens, fazendo-nos sentir cada passo em falso, cada respiração acelerada, cada momento de pânico – bom som design, igualmente.

Há uma continuidade estética clara com o filme anterior, e é justo destacar o trabalho de Sean Bobbitt, tal como antes foi essencial o contributo de Anthony Dod Mantle. São imagens cruas, mas carregadas de emoção, que nunca perdem humanidade.

Musicalmente, apesar de considerar a banda sonora do filme anterior mais impactante, este capítulo encontra uma identidade própria. Hildur Guðnadóttir traz o seu toque clássico e opressivo – já reconhecível de Joker, Tár e Chernobyl – que encaixa de forma poderosa na interpretação de Ralph Fiennes. Ainda assim, a energia e ousadia dos Young Fathers continuam a ocupar um lugar especial.

No final, sabe incrivelmente bem ver este filme chegar tão cedo. E depois daquele desfecho – que qualquer fã da saga vai adorar – fica apenas uma sensação dominante: quero mais, e quero já.