Opinião

As ruas do meu Natal

14 dez 2017 00:00
amelia-do-vale
Amélia do Vale

Ah, miserável Pai Natal! Por causa de ti a paz, sinónimo do estabelecimento de relações afetivas, assertivas e empáticas entre as pessoas, os animais e a Natureza, já não se constrói, já não dá trabalho, compra-se!

Tenho uma mania: as ruas por onde ando, quase nunca têm os nomes que a toponímia lhes deu. Não! Gosto de ser eu a “batizá-las” encaixando-as numa matriz pontuada de emoção e razão. Por exemplo, farta da “painatalice” que infeta os portugueses nesta época, eu que considero essa vermelhusca personagem responsável pela mercantilização do Natal e um indigno ladrão das lusas tradições natalícias, batizei com o nome de “Rua do Pai Natal” aquela via que sai da Câmara da cidade, rumo ao centro comercial Continente.

É para lá que nos dirigimos quando, armados em anglosaxões, nos dispomos a gastar dinheiro em coisas riscando, de uma lista real ou imaginária que fizemos, os nomes das pessoas a quem essas coisas se destinam.

Desta forma é através de coisas que despachamos as pessoas e com isso nos sentimos, finalmente, em paz! Ah, miserável Pai Natal! Por causa de ti a paz, sinónimo do estabelecimento de relações afetivas, assertivas e empáticas entre as pessoas, os animais e a Natureza, já não se constrói, já não dá trabalho, compra-se!

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