Opinião

As palavras que alavancam sinergias

19 abr 2018 00:00
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Joaquim Ruivo, professor

Mussolini e Hitler, no século XX, foram mestres na encenação da palavra – experimentem retirar o som aos discursos e verifiquem como cai por terra o seu poder expressivo.

As palavras são sempre muito mais que meras palavras. Os povos sabem-no desde sempre: desencadeiam “forças” ocultas, movimentam energias e dinâmicas transcendentes. Muitos povos ou etnias não pronunciam determinados vocábulos com receio das forças terríveis ou malignas que possam movimentar. É o caso do vocábulo “sapo”, para a etnia cigana.

Em contrapartida, outras palavras, como o nome de Deus , de tão sagradas que são, raramente deveriam ser pronunciadas, devendo ficar só na reserva do nosso pensamento e oração. Por isso, na minha fraquíssima procura do acreditar e ter fé, sempre me impressionou como, sobretudo os crentes, não só os católicos, gastam quotidiana e paulatinamente a palavra “Deus”, contrariando minuto a minuto “o não invocarás o nome do teu Deus em vão”.

Para já não falar nesse pecado absoluto, definitivo e sem remissão de se matar em nome de Deus. A palavra e o seu artifício desencadeiam forças impressionantes – para o bem e para o mal.

Os atenienses, primeiro, e os romanos, depois, educavam os jovens no bom uso da palavra. A arte da retórica tornou-se também sustentáculo das instituições democráticas, não evitando que com frequência retórica e demagogia dessem as mãos e se unissem no propósito de consolidar poder e angariar riqueza em interesses próprios.

Mussolini e Hitler, no século XX, foram mestres na encenação da palavra – experimentem retirar o som aos discursos e verifiquem como cai por terra o seu poder expressivo. Parecem fantoches, títeres que alguém articula, ridículos de tão caricatos que parecem ser.

Mas, infelizmente, essas suas palavras e a sua força implícita impeliram milhões de pessoas a segui-los e a apoiarem-nos em processos destrutivos e de extermínio, numa corrent

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