Opinião

Artes visuais | Wes Lang loves you

21 ago 2026 08:05

Um pintor extraordinário, e atingiu aqui nestas Black Paintings um elevado pico de criatividade, que será celebrado no futuro

Wes Lang é um pintor americano, autodidata, com um percurso e um corpo de trabalho completamente diferente do que estou habituado a ver. Nasceu em Chatham, Nova Jersey em 1972, mas trabalha em Los Angeles na Califórnia desde 2012. A mãe trabalhou como designer para a Vogue Magazine e habituou-o desde cedo a frequentar museus e inaugurações de exposições de arte. O pai tinha uma loja de discos, o que o fez desenvolver um amor profundo por música e conhecer pessoas célebres como Bon Jovi ou Bruce Springsteen, ainda muito novo.

Após ter terminado o liceu, mudou-se para Nova Iorque onde trabalhou como assistente numa loja de tatuagens, e a montar exposições no Museu Guggenheim, bem como na Galeria Tony Shafrazi. Em pouco tempo e com o apoio do então patrão, alugou um atelier em Manhattan e começou a pintar.

No seu trigésimo aniversário, demitiu-se e tornou-se artista a tempo inteiro, algo que segundo o próprio, sabia que era o que queria ser desde pequeno. Deparei-me com uma série de noventa e seis pinturas de sua autoria, composta entre 2022 e 2024, intitulada “The black paintings”, no canal de Youtube Tetragrammaton do Rick Rubin (ilustre produtor musical, afamado por ter trabalhado com os Beastie Boys, os Slayer e os Red Hot Chili Peppers). Ali apresentou pela primeira vez publicamente, o que para mim é dos corpos de trabalho mais interessantes da última década. São pinturas figurativas que aparentam contar uma história, mas não consigo traduzir na perfeição qual é. As personagens são maioritariamente esqueletos, cavalos, macacos, passarinhos e lagostas, e apresentam-se a fazerem reuniões em locais chiques, a banquetearem-se com belas frutas e champanhe, e a lutarem.

À primeira parecem representações do nosso mundo, porque reconheço praticamente todos os detalhes, mas nada ali poderia ser possível. Diria que são encenações dum mundo paralelo, parecido com o nosso, mas onde as regras naturais não se conformam. Wes, na primeira pessoa explica, o que as pinturas são sobre: “...dizem-nos que vivemos num mundo dividido, revoltado e incerto, de medo e tragédia á nossa volta. A minha pintura quer mostrar que isso não é verdade, que no mundo há uma quantidade de amor e gratidão quase insuportável e que viver no nosso tempo é magnifico...”

As cores com que pinta, maioritariamente sobre fundos pretos, são saturadas e luminosas. Simulam ou refletem grandes quantidades de luz com um alto grau de pureza, como se tivessem sido aplicadas do tubo para a tela directamente, sem misturas de branco ou cinza. As pinturas de Lang trazem-me à memória as do Henri Matisse, por causa da paleta fauvista e dos ambientes altamente texturados, e também, as do Jean-Michel Basquiat pela roupagem alternative rock e pensamento mais perto do nosso tempo. Para mim é um pintor extraordinário, e atingiu aqui nestas Black Paintings um elevado pico de criatividade, que será celebrado no futuro, tanto ou mais como foi, aquando da sua apresentação em Londres em 2025 na galeria do seu amigo Damien Hirst, a Newport Street Gallery.

Deixo esta sugestão, no Instagram @weslanglovesyou, ou no stíio da internet weslang.com - artworks - The black paintings.