Opinião

A transformação

3 mai 2018 00:00
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Carlos Martins

Nas montanhas, entre mim e o outro eu que há-de estar à minha espera do outro lado daquele cume, não vejo nada a não ser ar. E ver ar já é nada mal.

Escrevo-vos de Lisboa, no entanto, é no Nepal que estarei enquanto me lêem. Viajamos no tempo. Escrever é sempre mais antigo do que agora, deixa rasto e explica porque é que amanhã vai ser mais ou menos como será.

Nas montanhas, entre mim e o outro eu que há-de estar à minha espera do outro lado daquele cume, não vejo nada a não ser ar. E ver ar já é nada mal.

Respirar as possibilidades de tudo ser qualquer coisa porque se disse que sim, que isto agora é uma coisa, porque eu disse, porque eu quero e porque eu sou o que digo, se não estiver doente ou parvo ou a fingir.

Se estiver a sério, o caminho cerra-se e dá-me uma foice exactamente à medida da erva que terá de ser desbastada, e eu, que não sou parvo nem nada, desbasto-a, até porque a curiosidade é o meu motor mais potente, também o mais perigoso, talvez com cilindragem a mais para a carroçaria que me aconteceu.

Até ver - aguenta-se, arredando meia dúzia de ataques de pânico, não me tem corrido tão mal como poderia ter corrido.

 

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