Opinião

A insuportável presença da política em tudo

4 set 2017 00:00
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Amélia do Vale

No domingo, a Natureza contrariou, uma vez mais, as previsões da ciência e depois de um belo dia de praia recostei-me no meu sofá e liguei a TV.

Apanhei um dos muitos cozinheiros de “opinião-política-pronta-a-servir” a fazer considerações sobre a necessidade do primeiro ministro substituir a ministra Constança Urbano de Sousa.

Segundo ele, o facto da ministra se emocionar até às lágrimas em frente das câmaras provou, definitivamente, a sua incapacidade para liderar um ministério. Isto é, para o comentador, Constança como pessoa pode mostrar as reações do seu sistema límbico num contexto de emoção extrema, mas essa Constança como política, apesar de continuar pessoa, a mesma pessoa, não pode revelar o sentimento de tristeza e mostrar-se comovida!

Ora, eu não penso assim e vou mesmo ao extremo de dizer que querer politizar as emoções é um perfeito disparate uma vez que elas são inatas e apesar de produzidas na mente nada têm a ver com ela. Um disparate também, mas bem mais perigoso é querer politizar o sentimento de tristeza revelado pela ministra.

De facto, não sendo os sentimentos pessoais visíveis (diz António Damásio: “Se você tiver um sentimento de profunda tristeza, mas se me quiser enganar, e quiser comportar-se como se estivesse alegre, vai-me enganar mesmo, porque eu não posso saber o que está dentro da sua cabeça”) querer politiza-los, é quase militariza-los e por isso um incentivo aos políticos para nos mostrarem falsos sentimentos.

 

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