Opinião

A América de joelhos

4 out 2017 00:00

Eu não sou anti-americano, atenção. Algumas das conquistas, obras e avanços mais importantes vieram de lá.

É, no entanto, essencial questionar se todo esse comodismo não terá um preço demasiado alto, que vamos pagando em dolorosas prestações. Criados no ambiente da Guerra Fria, nunca acreditámos que chegaria a hora de a revivermos.

Daniel Goldhagen escreveu um livro polémico, cuja premissa era avaliar a responsabilidade do cidadão alemão, nos tempos do nazismo. Hoje, chutamos para canto o que se passou. É melhor pensarmos que foi tudo um transe colectivo, magia negra que capturou tudo um povo “sem ele o querer”. Apontar o dedo a Trump é fácil.

Ele encarna o pior que a América tem: a mentira, a arrogância, o síndrome do heroísmo salvador, do portador da liberdade. Mas Trump é apenas uma versão exagerada do que muitos americanos pensam e são. Uma grande parte da população está plenamente convencida da limpeza das suas guerras e da perfeição da sua liberdade.

Dizer que estão errados é duro. Todo um sistema de descrédito foi montado. Por entre fake news, vamos esquecendo as mentiras das armas de destruição maciça (pretexto para arrasar com o Iraque); as falsidades da CIA ao correr dos anos; as mortes civis às mãos de uma polícia fora de controlo.

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