Sociedade

Viver o fogo, o fumo e a indignação. O olhar de Luís Santos, da Marinha Grande, a partir da Austrália

10 jan 2020 15:17

Os incêndios também chegaram à cidade onde reside o jovem emigrante

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Luís Santos, 33 anos, é natural da Marinha Grande
DR
Daniela Franco Sousa

Viver o fogo, o fumo e a indignação. Este é um dos relatos recolhidos pelo JORNAL DE LEIRIA junto de pessoas da região a viver este momento de incêndios na Austrália.

Luís Santos, de 33 anos, é natural da Marinha Grande, mas trocou o País pela Austrália há algum tempo, onde é coordenador de actividades num club de férias. Ao nosso jornal, Luís Santos faz um retrato de indignação e de frustração por parte dos australianos contra o seu governo, pela forma como este tem vindo a gerir os incêndios que há meses consomem grande parte do território.

O português reside em Gold Coast, região que também se bateu com um incêndio de alguma dimensão, há cerca de um mês. Luís Santos salienta que, mesmo durante a fase em que os fogos deflagraram na parte sul da Nova Gales do Sul, a norte Sydney, a Gold Coast foi bastante afectada com fumos, que deixaram uma qualidade do ar muito má.

“Os australianos estão um pouco incrédulos com a dimensão dos fogos e sentem muita frustração com o governo, principalmente com o primeiro-ministro”, explica o português. Isto porque ele não deu ordem para realizar queimadas preventivas, que são pratica habitual naquele país, frisa Luís Santos. Este ano, essas queimadas foram adiadas com argumento do ambiente seco e de temperatura elevada, prossegue o emigrante. Mas “fala-se de que há poucas verbas para a questão da prevenção dos incêndios” e há também “pressão do partido dos Verdes contra as queimadas preventivas”, expõe o português.

Quanto à comunicação social nacional, Luís Santos nota que “as notícias foram mais intensas enquanto as populações estavam em perigo”. Agora, explica o emigrante “parece haver menos interesse”. E felizmente, observa Luís Santos, “também o tempo está a ajudar a que as coisas acalmem”.

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