Viver

Visita dançada pelas artes plásticas

7 fev 2019 00:00

Performance | O JORNAL DE LEIRIA acompanhou uma Visita Dançadaà exposição as Cores e as Formas, patente na Livraria Arquivo, em Leiria, e relata-lhe como se faz esta viagem fora da tela em passos de dança

Fotografia: Gil de Lemos
Fotografia: Gil de Lemos
Fotografia: Gil de Lemos
Fotografia: Gil de Lemos
Fotografia: Gil de Lemos
Fotografia: Gil de Lemos
Fotografia: Gil de Lemos
Fotografia: Gil de Lemos
Fotografia: Gil de Lemos
Fotografia: Gil de Lemos
Fotografia: Gil de Lemos
Fotografia: Gil de Lemos
Fotografia: Gil de Lemos
Fotografia: Gil de Lemos
Fotografia: Gil de Lemos
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Fotografia: Gil de Lemos
Fotografia: Gil de Lemos
Fotografia: Gil de Lemos
Fotografia: Gil de Lemos
Fotografia: Gil de Lemos
Fotografia: Gil de Lemos
Jacinto Silva Duro

Os quadros expostos na galeria da Livraria Arquivo são espelho e janela, onde cada um observa o reflexo de algo que está lá fora ou noutra realidade paralela. A imaginação dita o que cada um presencia.

Em dia de Visita Dançada, dinamizada por Inesa Markava, crianças e pais observam a bailarina em silêncio, sentados em semi-círculo, no chão. Com pincéis na mão, a menina, mulher e bailarina volteia pela sala, deixando-os cair como grossas gotas de chuva a escorregar pelo telhado.

Uma criança ri, divertida com o estrondo. Inesa desenha, a pincel, contornos nas cabeças, olhos e faces que a observam. Os mais novos surpreendem- se com o toque das cerdas na pele e ficam à espera da próximo passo.

A bailarina suspende no ar, contrariando a lei da gravidade, um véu rubro, volteia e torna-o seu par de dança, na sala de exposições. Aquele céu, agora, já não é céu. É onda de mar, cativa nos seus dedos esguios, antes de se transformar em cama e berço que embala o mais novo na sala, divertido com a brincadeira.

As Cores e Formas, que também são o nome da exposição da autoria de Daniela Garrido, ganham volume, vida e presença, à medida que a menina, mulher e bailarina traça riscos de giz no chão em tom carmesim e pisa, pé até pé, o contorno da figura desenhada.

Demora-se, toma balanço, como quem considera um salto no vazio, salta e abraça os quadros expostos, como se fossem amigos antigos. Os mais novos deixam-se hipnotizar pelo discurso do corpo e do movimento e não tiram os olhos da figura leve que, à sua frente, evolui em passos de ballet.

Estão enfeitiçados pelos gestos, embalados pelo piano e baixo. Aproveitando um momento de distracção, fogem, sem oposição, do alcance dos pais. Rastejam pelo chão e imitam a bailarina. Subitamente conscientes de que todas as atenções do círculo de pais e crianças estão em si, envergonham- se e ensaiam um regresso apressado ao regaço protector das mães.

Distante das movimentações que a sua dança provoca nas mentes das crianças que a observam, a bailarina descreve piruetas e estende as mãos a pais e crianças. Beijam-lhe a mão. Ela fecha os dedos e leva aquele carinho ao peito.

Viagem fora da tela
As Visitas Dançadas na Livraria Arquivo acontecem uma vez por mês, desde há três anos. Daniela Garrido é a autora da exposição de desenho que foi visitada através da dança e observou a história contada pela dança, que Inesa Markava contou aos mais pequenos.

“Ela narrou, apenas com gestos, uma visita à exposição e obrigou-me a ver As Cores e as Formas, numa viagem ‘fora da tela’”, resume a artista.

Inesa criou as Visitas Dançadas no âmbito de um projecto de investigação de doutoramento em Arte Contemporânea, no Colégio das Artes da Universidade de Coimbra. Na prática, este é um laboratório aplicado às exposições da livraria Arquivo.

"Tive de perceber o que poderia coreografar e como iria ser o processo", conta. Até agora, centenas de crianças passaram já pelas visitas de Inesa. "Há famílias que voltam, sempre que há uma nova visita dançada. Uma vez por mês, os alunos da Escola Clara Leão também estão presentes, no âmbito de um projecto que iniciámos em Setembro e que se estenderá até Julho deste ano. Com eles, temos um primeira parte, mais expositiva e performativa, e uma segunda, mais participativa, onde perguntamos o que retiram da experiência."

A bailarina conta que as respostas costumam ser surpreendentes porque os alunos já falam a linguagem e reconhecem movimentos e os seus significados.

"Pretendo abrir as possibilidades de leitura da obra artística e de arte visual. Existe uma leitura poética e uma ligação com as obras, sejam elas de escultura, joalharia ou pintura, que não se  

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