Economia

Uber Eats e Glovo atraem negócios de comissões e trabalho precário para Leiria

20 fev 2020 09:40

Já são quatro serviços a disputar o mercado de entrega de refeições em Leiria: Uber Eats, Glovo, Pede & Come e Comidas.pt. Saiba quanto ganham os estafetas.

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Em Leiria, a Uber Eats fica actualmente com 25% dos ganhos dos estafetas
Ricardo Graça

Mais do que moda, uma tendência. Encomendar comida através de aplicações para dispositivos móveis está cada vez mais fácil em Leiria, com a chegada da Uber Eats, em Novembro, da Glovo, já este mês, e da Comidas.pt, nos últimos dias, que passam a disputar um mercado onde já operava o serviço local Pede & Come.

É um negócio de milhões para as multinacionais com sede fora de Portugal e de migalhas para os estafetas, cerca de 30 em Leiria, muitos deles brasileiros. Ganham pouco, mas circulam até 10 a 12 horas por dia, de mota ou mesmo de bicicleta, em regime de prestação de serviços como trabalhadores independentes, ou seja, sem contrato, mas sujeitos a descontos para a Segurança Social.

A actividade atrai sobretudo imigrantes, estudantes e quem procura aumentar rendimentos em part-time.

Em Leiria, cada quilómetro percorrido para a Uber Eats vale 0,65 cêntimos. A recolha da refeição no restaurante representa 1 euro e a entrega no destino mais 55 cêntimos. Da soma destes valores, é subtraída a comissão de 25% que a Uber Eats cobra aos estafetas ou gestores de estafetas, que têm de entregar 23% da facturação às Finanças, por conta de IVA, se não beneficiarem de isenção, além da contribuição junto da Segurança Social, equivalente a 21,5% do rendimento. E que andam com mota e telemóvel próprio e suportam o combustível e o desgaste dos equipamentos.

Em períodos específicos, a Uber Eats activa promoções com incentivos, em que paga mais por cada viagem, o que, tipicamente, acontece nas horas de maior demanda (almoço e jantar).

Os estafetas em Leiria, alguns vindos de Lisboa, dizem que a Glovo (comida e outros produtos) paga “um pouco mais” e consideram injusta a comissão cobrada pela Uber Eats em Leiria, 25%, que compara com 10% em Lisboa.

Também o quilómetro vale menos em Leiria do que em Lisboa (65 cêntimos e 80 cêntimos, respectivamente).

Em Leiria, é mais provável o regresso em vazio, ou seja, quilómetros que são despesa, enquanto em Lisboa os estafetas conseguem quase sempre sair de um pedido e entrar noutro sem viagens em vazio pelo meio, porque há mais restaurantes e clientes.

“A semana passada trabalhei cinco dias e meio, a minha semana foi em torno de 181 euros”, resume Edivaldo Arruda.

“Se quiser trabalhar só com isso, não dá. Estou procurando outro trabalho, porque não está dando para sobreviver”, descreve Jisiel Sousa, também brasileiro, a falar ao JORNAL DE LEIRIA num turno de cinco viagens que renderam 11 euros.

Estafetas sem actividade aberta perante as Finanças, logo, sem capacidade para emitir recibos verdes, utilizam a plataforma (o acesso ao software de contabilidade) de outros. E entregam uma comissão. É o caso de Aloizio Santista. “A conta não é minha, pago 20% do que ganho para um rapaz. Tudo. Até das gorjetas”. Ao dizer esta frase, somava 10 euros ao fim de quatro horas.

Todas as transacções via Uber Eats ou Glovo são automaticamente documentadas em ficheiro informático.

“Às vezes a gente trabalha 12 horas, porque senão a gente não ganha”, afirma Danilo Almeida, que na semana passada juntou 200 euros. Já se estabeleceu como operador independente, antes usava o acesso de terceiros à plataforma MagniFinance, a troco do IVA (23%) e mais 10%.

A Sync, de Welerson Prata, com sede na Marinha Grande, gere dezena e meia de estafetas, em serviço para a Uber Eats, a Glovo e a própria Sync. Recolhe de cada um deles uma comissão entre 13% e 40%, dependente do acordo, que pode incluir o empréstimo da mota e do telemóvel. “Os estafetas não têm de prestar contas junto às Finanças, eles não têm um vínculo fiscal com a Autoridade Tributária, eu tenho, eu é que arco com todas as despesas”, explica.

Há outro motivo para utilizar o acesso de terceiros à plataforma de facturação: ser imigrante sem autorização de residência emitida pelo SEF – Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (a Uber Eats exige-a).

“Há quem empreste a conta, há quem venda conta, há quem alugue a conta, na internet você acha de tudo”, explica Welerson Prata. “Quem não tem papéis, infelizmente tem de recorrer a isso. E paga uma comissão a quem é don

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