Sociedade

Tribunal começou a julgar patrão que disparou sobre jovem funcionária em Pombal

15 jan 2019 00:00

Arguido disse que disparo foi acidental.

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Jacinto Silva Duro

Um homem que explorava uma oficina de estofos em Pombal confessou hoje ao Tribunal de Leiria que disparou sobre a ex-funcionária de forma acidental, negando parte da acusação, que refere que o suspeito ameaçou a jovem.

O colectivo de juízes do Tribunal de Leiria começou hoje a julgar um homem de 65 anos acusado dos crimes de tentativa de homicídio qualificado agravado, detenção de arma proibida, coação agravada, ameaça agravada, dano e simulação de crime.

Durante o seu depoimento, o arguido admitiu ao tribunal que tinha “dado uns beijinhos” à ex-funcionária, uma jovem de 22 anos, mas desmentiu que a tivesse ameaçado de morte, assim como à sua mãe, quando a vítima se quis despedir.

Tinha uma paixoneta por esta jovem?, questionou a magistrada. “Tinha uma atracção de amizade por ela. Dávamos uns beijinhos. Mas nunca forcei nada além disso”, respondeu ao ser confrontado pela juiz presidente.

O homem explicou que tinha uma caçadeira guardada, “porque já tinha sido assaltado várias vezes e andava atemorizado”, garantindo que nunca apontou a arma à jovem.

“Tirei a caçadeira da caixa, com intenção para a assustar e para ela sair da oficina. Nunca a ameacei. Tirei-lhe o telemóvel da mão porque estava com medo que ela estivesse a chamar alguém para me fazer mal”, adiantou.

Quanto ao disparo, o homem referiu que tinha a arma apontada para baixo, quando a vítima o empurrou e “no meio daquilo dei um disparo, mas nem sabia para onde estava apontada a arma”, explicou.

Versão diferente foi apresentada pela vítima. Num testemunho muito emocionado, sempre a chorar, a jovem disse que foi ameaçada de morte dias antes e que aceitou ir à oficina entregar a chave para proteger a mãe, a quem o arguido também tinha proferido as mesmas ameaças.

“Quando estava para me vir embora viu-o ir a correr mexer numa caixa e parei. Fiquei paralisada. Foi quando ele me apontou a arma e disse para me sentar ou então matava-me”, contou, referindo que acabou por ser baleada na perna.

Segundo a jovem, o homem recusou chamar o socorro, acedendo apenas depois dela prometer que o perdoava, que ficava com ele e que iria dizer à GNR que tinha sido vítima de um assalto.

Desmentindo que nunca teve qualquer envolvimento com o ex-patrão, a assistente acusou o arguido de se insinuar de forma mais íntima e de a tentar controlar, com telefonemas e idas à sua casa.

Segundo o despacho de acusação, em Julho de 2016 a jovem começou a trabalhar na oficina de estofos do arguido. “Um mês volvido, o arguido começou a demonstrar interesse sexual pela assistente, com alusão a sentimentos amorosos e desejo de envolvimento sexual com a mesma.”

Depois de uma discussão entre o suspeito, a vítima e um amigo desta, com intervenção da PSP de Pombal, dois dias depois a jovem decidiu não ir trabalhar. No dia em que decidiu ir à oficina entregar as chaves e despedir-se, o ex-patrão “referiu à assistente que gostava muito dela e para esta continuar a trabalhar na oficina”.

“Não correspondendo aos intentos do arguido, a assistente manifestou a sua vontade em ir embora. (…) Com a arma apontada à assistente ordenou à mesma que não abandonasse a oficina, porque se o fizesse disparava”, refere a acusação do Ministério Público.

Pouco depois, “sem que nada o fizesse esperar, o arguido, a três metros da assistente, efectuou um disparo, na sua direção, que a veio a atingir na perna esquerda”.