Sociedade
Técnico de arqueologia com ligações a Leiria participa na descoberta de porto medieval de Hamburgo
Com ligações à Moita da Roda, freguesia de Souto da Carpalhosa, Kevin Cordeiro trabalha no Museu de Arqueologia de Hamburgo
A recente descoberta do primitivo porto de Hamburgo, na Alemanha, teve a participação de Kevin Cordeiro Bull, técnico de escavação arqueológica com ligações familiares e afectivas a Moita da Roda, localidade de freguesia de Souto da Carpalhosa, Leiria, de onde a mãe é natural e a onde regressa com regularidade para passar férias.
Técnico do Museu de Arqueologia de Hamburgo, Kevin Cordeiro integra a equipa que está escavar o local do antigo edifício do Commerzbank, demolido em 2023. Segundo o jornal Abendblatt, os trabalhos arqueológicos foram desencadeados por um novo projecto de construção para o local. “Como o novo edifício destruirá definitivamente as camadas medievais”, a equipa do museu está a “preservar os achados arqueológicos com escavações de salvaguarda”, avança o jornal, que cita Martin Eckert, coordenador dos trabalhos.
“Durante esta escavação, descobrimos o porto medieval de Hamburgo. Esta descoberta traz novos conhecimentos sobre o desenvolvimento da cidade e poderá levar à revisão da imagem que até agora tínhamos de Hamburgo na época medieval”, partilha Kevin Cordeiro.
Segundo Martin Eckert, sabe-se, para já, que no século XIII as barcaças atracavam no local e, “como não conseguiam navegar pelo estreito canal, ficavam ancoradas no rio Elba”, as mercadorias eram transferidas” para outras embarcações mais pequenas e “navegavam pelo canal Nikolaifleet ou eram içadas com auxílio de longas varas de madeira”.
Família de Moita da Roda
Kevin Cordeiro nasceu na Alemanha, para onde a mãe emigrou na década de 1960. “O meu avó veio para cá trabalhar”, conta o luso- -germânico, que manteve sempre o contacto com a terra-natal da família materna, que visita com regularidade. “Até há alguns anos, a minha avó ainda vivia na nossa casa em Moita da Roda. Infelizmente, faleceu há dois anos. No entanto, continuamos a passar regularmente férias lá e a visitar os meus familiares. Faço ainda questão de mostrar à minha mulher e à minha filha o lugar onde se encontram parte das minhas raízes familiares”, diz.
Foi também a família, mais precisamente a mãe, que lhe despertou o interesse pela Arqueologia e pela História. “Em criança, ofereceu-me muitos livros, sobretudo sobre o antigo Egipto, e sempre achei o tema fascinante”, recorda Kevin Cordeiro, que, no entanto, só mais tarde enveredou por esta área. Primeiro, fez uma formação profissional na área da mecatrónica de automóveis, passando, depois, por várias profissões, até voltar aos estudos, desta vez em arqueologia.
“Após várias experiências profissionais, finalmente encontrei na arqueologia, mais concretamente na formação de técnico de escavação, a área em que sinto que realmente cheguei ao lugar certo”, confessa Kevin Cordeiro, que trabalha actualmente no Museu de Arqueologia de Hamburgo como técnico de escavação. Entre outras funções, é responsável pelo registo e pela documentação dos dados, através de fotografias, medições e informações geográficas. Também ajuda “a decidir como deve ser feita uma escavação e como devem ser escavadas determinadas estruturas ou achados”.
“A diferença em relação ao arqueólogo está principalmente no conhecimento das ferramentas e dos métodos técnicos. O técnico [de escavação] também sabe encontrar soluções práticas e criativas para os problemas que podem surgir durante uma escavação ou na análise Kevin Cordeiro trabalha no Museu de Arqueologia de Hamburgo dos dados recolhidos”, explica.