Sociedade

Suinicultores alertam para o "colapso" do sector

3 fev 2016 00:00

Plenário em Leiria reúne medidas para entregar ao ministro da Agricultura

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O presidente da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS) alertou hoje para o colapso em breve do sector, pedindo medidas de reestruturação do crédito a curto prazo e a isenção da Taxa Social Única (TSU). 

"O sector está à beira do colapso", salientou Vitor Menino, acrescentando que os empresários "estão a perder 30 euros por cada animal" que entra no mercado, o que "é incomportável". 

Por isso, o presidente da federação pede uma "resolução rápida" para o problema do setor, que é responsável por "200 mil empregos diretos", sublinhando que "não há tempo para esperar". 

"Em consequência da dramática situação que o sector da suinicultura atravessa", os empresários do sector reuniram-se hoje em plenário, de onde saíram várias reivindicações que serão apresentadas ao ministro da Agricultura, numa reunião agendada para a próxima sexta-feira, avançou. 

Uma das exigências apresentadas na reunião é "exigir medidas que permitam a reestruturação do crédito a curto prazo, de modo a que os suinicultores possam beneficiar de um período de dez anos para o seu pagamento com dois anos de carência". 

Os empresários vão ainda solicitar ao ministro da Agricultura que "pressione a Comissão Europeia no sentido de iniciar, no imediato, reuniões técnicas com as autoridades russas, de forma a pôr fim ao embargo russo à carne de porco europeia". 

Será também exigida a "assinatura urgente do contrato de exportação da carne de porco portuguesa para a China e para a Coreia do Sul". 

Vítor Menino lamentou que a "ex-ministra da Agricultura [Assunção Cristas] se tenha esquecido das suiniculturas quando isentou o setor do leite da TSU". 

"Exigir o reforço das acções de fiscalização e a publicação imediata do decreto-lei regulamentador da rotulagem de carne" é outra das reivindicações dos empresários, que pretendem ainda requerer ao ministro "que se bata junto da Comissão Europeia pela subsidiação dos excedentes de gorduras e sub-produtos de matadouro para serem vendidos para biodiesel". 

Isentar o sector da taxa do Sistema Integrado de Recolha de Cadáveres e do Imposto Sobre Imóveis, pelo período de um ano, e garantir a manutenção do Gabinete de Crise "na defesa e promoção das acções que visem a defesa intransigente do setor e o direito do consumidor à informação", são também medidas pedidas, assim como o reforço do controlo anti-dumping. 

O porta-voz do Gabinete de Crise, João Correia, acrescentou que o sector tem um valor de 600 milhões de euros.  "Neste momento, perdemos sete milhões e meio de euros por mês", adiantou. 

João Correia frisou que, "além da gravidade económica do sector, se o colapso da suinicultura for uma realidade, para daqui a 15 ou 30 dias, não será só um problema económico, mas sim, e mais grave, um problema social", porque "90% das pessoas" que trabalham no sector "também habitam nas explorações". 

O porta-voz do Gabinete de Crise prometeu lutar até ao fim, "com civismo", mas deixou o aviso: "se tivermos de engrossar a voz, como engrossaram em Espanha e França, sou o primeiro a ir para a frente".  

No início da reunião, o presidente da Câmara de Leiria, Raul Castro, apelou à redução da electricidade para o sector.

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