Viver
Stone Art. O provável adeus ao Codaçal do projecto que criou uma galeria na pedreira
Este ano, o festival decorre de 22 a 31 de Agosto e reúne o maior número de participações internacionais até à data
Quando a terceira edição chegar ao fim, haverá pelo menos 45 obras de 70 artistas nacionais e internacionais visitáveis a céu aberto no Codaçal. “24 horas por dia, 365 dias por ano, de forma gratuita”, realça Marco Almeida, responsável pela curadoria e produção do Stone Art, que este ano decorre entre 22 e 31 de Agosto.
“É o único festival do mundo realizado dentro de uma pedreira com escultura, pintura e grafitti”, assinala. “Não é mensurável o valor associado a este projecto”.
Segundo Marco Almeida, “em qualquer fim-de-semana se vêem centenas de pessoas a visitar” a área de intervenção do Stone Art, no extremo Este da freguesia de Serro Ventoso, concelho de Porto de Mós. De acordo com o organizador, que se baseia no número de acessos a dados disponibilizados online através da plataforma Google Maps, “mais de 75 mil” já “visitaram o local fisicamente” e percorreram o circuito de arte que se espalha ao ar livre maioritariamente através de zonas inactivas de exploração de pedra.
Uma nova atracção turística numa aldeia com menos de uma dezena de habitantes, em pleno Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros.
“Este ano, iremos extinguir a capacidade de intervenção neste núcleo de extracção”, antecipa o curador que adopta o nome artístico 2CarryOn. “Não iremos ficar com muito mais espaço e é nossa intenção migrar para outros territórios”. Depois de 2021 e 2023, os próximos dias trazem, então, o último Stone Art a realizar-se no Codaçal? “À partida, será”, admite. “A realidade é que se não houver interesse político não há investimento”. E explica que o potencial da iniciativa – mais vasto do que o festival a decorrer de dois em dois anos – continua por atingir. “O nosso objectivo principal era criar um parque que se apropriasse de uma pedreira em fim de vida onde nós pudéssemos fazer diferentes tipos de eventos [artes circenses, instalações, video mapping, etc]. Não é o que está a acontecer”.
Seis países representados
Mantendo o propósito de se integrar na paisagem rural e celebrar a identidade da região, a terceira edição reúne 23 artistas de Portugal, Espanha, Alemanha, Argentina, Arábia Saudita e Itália. Destacam-se o alemão Jack Lack, o espanhol Sea 162 e o português Hatory Pabllo.
O antigo ministro Luís Amado, também artista plástico, natural de Porto de Mós, volta a ser o embaixador do evento.
Na pintura, com murais que vão explorar o cruzamento entre códigos visuais da arte urbana e as características do cenário no Maciço Estremenho, participam Hatory Pabllo, Dish, Mafalda MG, Mojojojo, Sea 162 (Espanha), Fesa (Alemanha) e Jack Lack (Alemanha). No grafitti, 11 writers – Crack, Johnny Double C, Trip Dtos, Hione, Ismo, Klit, Le Funky, Molin, Restless, Send e Trauma 21 – são desafiados a contribuir para uma criação colectiva inspirada no universo subterrâneo das grutas do calcário, na biodiversidade e nos mistérios que habitam as cavidades, como uma ponte com o património científico e natural na fronteira entre o visível e o oculto. E, na escultura, a partir da pedra e de outros materiais que se encontram na freguesia do Serro Ventoso, vão trabalhar Thierry Ferreira, Alfredo Pecile (Argentina), Pablo Garelli (Argentina), Talal Altukhaes (Arábia Saudita) e Kanu (Itália).
É o ano em que o Stone Art tem mais artistas internacionais, comenta Marco Almeida. O grafitti hall of fame de 2021 será substituído, mas todas as obras em exposição apresentam um carácter efémero, com prazo de vida limitado.