Economia

Ser Maravilha de Portugal ajuda a aumentar negócios

11 jul 2019 00:00

Produto que seja vencedor, ou mesmo apenas finalista, da iniciativa 7 Maravilhas ganha visibilidade e atrai mais procura. Na região há já cinco. Agora, a brisa do Liz está na corrida na categoria de doces

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Raquel de Sousa Silva

À medida que foi ganhando etapas no concurso 7 Maravilhas Doces de Portugal, a brisa do Liz ganhou notoriedade e a procura deste bolo típico de Leiria foi crescendo. Helder Pires, gerente da Pastelaria Pires, empresa que há mais de 50 anos fabrica e vende este doce, revela que as vendas se terão “multiplicado por dez” nas últimas semanas.

“O concurso ajudou a aumentar as vendas de forma muito significativa. Deu muita visibilidade às brisas. Fê-las renascer”, afirma. A empresa que gere sempre comercializou este doce, mas as vendas “não eram muito significativas”.

Até ao concurso. Agora a procura subiu exponencialmente, tanto por parte de pessoas que conheciam o doce mas não o consumiam habitualmente, como por parte de outras que não o conheciam e que agora compram para si e para oferecer, conta Helder Pires.

Também a Brisanorte viu as vendas de brisas do Liz subir. Armando Rato fala em aumentos na ordem dos 100%. “Há 25 anos que produzimos e vendemos brisas, mas não era o nosso produto estrela. Em muitas das nossas lojas havia dias em que não se vendia uma única, e agora todas elas passaram a vender”, conta o empresário, que admite que este doce talvez não estivesse “tão bem divulgado”.

O que agora mudou com o concurso, onde a brisa do Liz é finalista, em representação da cidade de Leiria. Tanto este empresário como outros ouvidos frisam o empenho da Câmara de Leiria, da associação Acilis e dos próprios profissionais do sector da pastelaria para que este resultado fosse possível. A finalíssima será a 7 de Setembro e serão eleitas, entre as 14 pré-finalistas, as 7 Maravilhas Doces de Portugal.

Até lá, Marlene Alexandre espera que as vendas das brisas do Liz da Alexmel, que as fabrica há pelo menos 25 anos, continuem a subir, tal como aconteceu nas últimas semanas. “Até ao concurso, as vendas eram razoáveis, mas nada que marcasse a diferença”.

Depois, houve um fluxo de maior procura, conta a responsável pela empresa, que acredita que com toda a mediatização em torno deste produto quem não o conhecia teve curiosidade em experimentar.

“São as memórias que fazem de Portugal um país de mestres pasteleiros e as inovações que sabiamente introduzem os produtos únicos de cada região na arte da doçaria que vamos homenagear em 2019, com a eleição das 7 Maravilhas Doces de Portugal”, lê-se no site da iniciativa.

Da nossa região, na corrida ao estatuto de Maravilha Doce estavam ainda as cavacas das Caldas (que segundo a Câmara são um forte pólo de atracção a algumas das pastelarias da cidade), os pastéis de Mós, as cornucópias de Alcobaça, o pão-de-ló de Alfeizerão, os Esses de Peniche e os Amigos de Peniche.

“Face ao painel de candidatos, os pastéis de Mós, criados há apenas cinco anos na Pastelaria Portomosense, e ainda longe da fama das cornucópias de Alcobaça ou do pão-de-ló de Alfeizerão, conseguiram um belíssimo terceiro lugar e uma projecção nacional que os levará, certamente, bem longe”, aponta a autarquia em comunicado.

Anselmo Antunes, o pasteleiro que criou este doce, fala igualmente num acréscimo de vendas desde meados do concurso. O responsável pela Pastelaria Portomosense, “único local” onde se vende o doce, espera um aumento das vendas que, aliás, têm crescido ao longo destes cinco anos.

Doce com cinco séculos, que já ganhou muitos prémios, as cornucópias de Alcobaça “são já muito conhecidas”. São a “imagem de marca” da pastelaria Alcoa e o doce que mais vende. Ter estado entre os finalistas do distrito “é uma honra e um prestígio”, entende Paula Alves, gerente desta casa de Alcobaça, para quem o facto de um produto estar na corrida para ser uma das 7 Maravilhas “ajuda sempre” nas vendas.

“O produto endógeno, a marca da terra, a preservação da qualidade dos ingredientes e a capacidade que o país tem de inovar e de se reinventar nas suas tradições são cada vez mais factores distintivos nas eleições das 7 Maravilhas”, aponta a organização, a cargo da EIPWU.

Terão sido esses alguns dos trunfos que fizeram com o que arroz de marisco da Praia da Vieira fosse eleito uma das 7 Maravilhas da Gastronomia, em 2011. Paulo Coelho, gerente do restaurante Solemar, conta que se registou um aumento das vendas deste prato logo a seguir à eleição.

“Depois estabilizou”, mas o arroz de marisco continua a ser a estrela de muitos dos restaurantes desta praia do concelho da Marinha Grande. Para o empresário, haver um produto que funcione como “chamariz” ajuda todos os sectores de actividade.

Também João Ramusga, um dos proprietários do restaurante Lismar, fala num aumento da procura. “Sempre vendemos muito arroz de marisco. Claro que com a sua eleição como Maravilha da Gastronomia as vendas dispararam”, conta. Este aumento manteve-se durante um ano, depois a procura do produto “voltou ao normal”.

Logo após terem sido eleitas uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal, as Grutas de Mira de Aire registaram uma subida nas entradas na ordem dos 20%. Depois houve um abrandamento, mas o facto de terem sido escolhidas “continua a pesar favoravelmente”, reconhece Carlos Alberto Jorge.

O gerente explica que, do contacto que vai mantendo com os turistas, percebe que, na hora de escolherem “entre visitar uma outra outra gruta” da região pesa o facto de esta ter aquele estatuto. No ano passado a gruta recebeu 125 mil vi

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