Economia
Salinexis transforma funcho marítimo em fonte inesgotável de cosméticos
Meta é produzir biomassa e ingredientes em laboratório, utilizando bio-reactores
Após vencer a final do concurso regional Poliempreende, a equipa Salinexis vai representar o Instituto Politécnico de Leiria (IPL) na final nacional do maior concurso de empreendedorismo do ensino superior português, que se realiza na Universidade do Algarve, a 3 de Setembro.
Constituída por Celso Alves e Joana Silva, investigadores do MARE-IPLeiria, por Thalisia Santos, investigadora visitante do MARE-IPLeiria, e por Diogo Cardoso, estudante de Biotecnologia da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM), a equipa recebeu um prémio monetário de dois mil euros.
Em cima da mesa está já a possibilidade da criação de uma startup ou de uma spinoff nascida no CETEMARES, do IPL.
A Salinexis surgiu como uma resposta às necessidades da indústria cosmética, focada em conceitos como clean beauty e blue beauty.
As empresas destas áreas enfrentam problemas significativos devido à sazonalidade das matérias-primas naturais e à instabilidade provocada por variações climáticas, o que limita a escala de produção e obriga a ajustes constantes para manter a qualidade final.
A meta é produzir biomassa e ingredientes em laboratório, utilizando bio-reactores em ambiente controlado, garantindo que os clientes tenham a segurança de um produto com "qualidade constante e sem alterações no seu perfil químico".
O processo de investigação foca-se inicialmente no funcho marítimo (Crithmum maritimum), planta resiliente comum nas falésias de Peniche, rica em vitamina C e com potencial reconhecido na cosmética e na gastronomia.
Nos primeiros 15 a 20 meses, os investigadores pretendem estabelecer o cultivo laboratorial, potenciar o crescimento e validar se as propriedades replicam as da planta em estado natural.
Para as empresas, o foco prende-se com a sustentabilidade e a eficiência, e a investigação da Salinexis permite obter compostos sem "dizimar os recursos naturais".
A equipa prevê que, num horizonte de 48 meses, exista já um portefólio de produtos e a capacidade de avançar para uma escala piloto, reduzindo a dependência da colheita na natureza.
Plástico de algas invasoras
No âmbito do Poliempreende, o segundo lugar foi conquistado pela iniciativa BiopolyTech, que pretende transformar biomassa de algas invasoras recolhidas na costa ibérica em biomateriais sustentáveis para a fileira das embalagens alimentares, nomeadamente bioplásticos biodegradáveis.
Desenvolvida por João da Costa, bolseiro de investigação do MARE-IPLeiria, conquistou um prémio de 1.500 euros.
O terceiro prémio, no valor de mil euros, foi atribuído ao AquaLab, uma solução de monitorização inteligente da qualidade da água baseada em sensores IoT e numa plataforma digital de análise de dados em tempo real, com AquaDrones - drones aquáticos autónomos - e com a AquaBox, solução fixa e compacta para tanques, aquaponia, hidroponia, agricultura e aquicultura.
A equipa é constituída por Guilherme Cruz, estudante de Engenharia Informática da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG), e por Gonçalo Ferreira e Dinis Roxo, diplomados de Engenharia Informática da mesma escola.
Ao longo das edições do Poliempreende, o Politécnico de Leiria contou já com perto de 900 participantes e cerca de 71.500 euros em prémios atribuídos.