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Ruben Santos: “Leiria foi, é e será uma cidade de artistas”

19 fev 2018 00:00

Almanaque | O professor e músico fala da sua admiração por Frank Zappa, dos seus vícios e diz que gostaria de levar Maria de de Medeiros a jantar.

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Jacinto Silva Duro

Se não estivesse ligado ao mundo da arte, o que seria?
Em miúdo, perguntavam-me o que queria ser quando fosse grande, ao que eu respondia que queria a reforma antecipada - não sei onde ouvi isto, mas a gente adulta achava-me piada. Não há volta a dar, a música é a menina dos meus olhos.

O projecto que mais gozo lhe deu fazer
Vejo o meu percurso musical como um projecto a longo prazo. Começou cedo e está longe de ter um fim. É um projecto e um processo de constante aprendizagem e evolução, onde a partilha é o mais importante – a partilha com os meus companheiros de projectos musicais e com o público.

O espectáculo, concerto ou exposição que mais lhe ficou na memória
Amorphis, no concerto comemorativo dos 20 anos do álbum Tales From The Thousand Lakes (álbum de 1994), onde revivi bons momentos e recordei amizades fantásticas dessa época.

O livro da sua vida
Não sei se será o livro da minha vida, mas a autobiografia do Slash deu-me muito gozo ler. Mostrou-me o que é realmente a “vida do rock”, o lado bom, mas, principalmente, as coisas que não devemos fazer. Nem tudo é um mar de rosas.

Um filme inesquecível
Adoro o universo Tim Burton – Eduardo Mãos de Tesoura.

Um artista que gostaria de ter visto no Teatro José Lúcio da Silva
Gostaria de ver os artistas da nossa praça, com casas cheias, agoirando futuros promissores. Também podem trazer cá Snarky Puppy, que não me chateio nada!

Uma viagem inevitável
Passar a noite num bungalow norueguês e adormecer a admirar a aurora boreal, parece-me um bom plano.

Um vício que não gostava de ter
Entretanto, está na hora de deixar de fumar.

Um luxo
Ter um estúdio numa cave e poder usufruir dele sempre que me apetecer. Imagino-me a acordar a meio da noite, descer à cave e gravar o próximo hit de Verão, com o qual tinha acabado de sonhar. Poder ter um estilo de vida do género, seria algo luxuriante, ou talvez um sonho de sempre.

Uma personalidade que admira
Frank Zappa, um dos maiores artistas contemporâneos, com um espólio de composição original absolutamente inacreditável! Admiro profundamente os meus pais – dizer “tudo” é muito pouco, num enorme universo de bons adjectivos.

Uma actriz que gostava de levar a jantar
Nunca tinha pensado nisso… Mas era capaz de jantar com a Maria de Medeiros, nem que fosse para ouvir o meu nome com aquele sotaque francês a la Pulp Fiction.

Um restaurante da região
Restaurante Os Ferreiros, na Amoreira – comer e beber bem, com direito a espectáculo de variedades. Um prato de eleição Indiscutivelmente, Cozido à Portuguesa! Podem cortar nas carnes e carregar-lhe nos enchidos!

Um refúgio (na região)
Pedra do Ouro. Palco de Verões sem fim. Sítio para relaxar e repor energias.

Um sonho para Leiria
Leiria foi, é e será uma cidade de artistas. Que, um dia, possa existir um espaço em que os artistas possam conviver, partilhar ideias e de certa forma viverem em comunhão. Onde, nesse edifício, haja espaços para poderem desenvolver a sua arte – salas de ensaio, ateliers, salas para workshops, salas de exposição de trabalhos, sala de espectáculos multiusos, etc.. Um espaço dos artistas, para os artistas e para o público. Romântico de mais? Talvez. Mas, será impossível?