Sociedade

PSP de Leiria assegura às estudantes que "não existe registo de qualquer crime de violação, tentativa de violação ou assédio"

13 out 2021 10:31

Há, pelo menos duas semanas, que circula nas redes sociais e Whatsapp um alerta sobre jovens violadas, perseguidas e raptadas em Leiria

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“As histórias contadas [todos os anos] são semelhantes, o que não invalida que se esclareça a sua autenticidade”
Ricardo Graça/Arquivo
Jacinto Silva Duro

Desde há, pelo menos duas semanas, que, nas redes sociais, circula um alerta endereçado às jovens e mulheres de Leiria, advertindo-as para não andarem sozinhas na rua.

O aviso, que se tem multiplicado sempre com novos detalhes, cita o caso de “uma amiga”, que passeava pela fonte luminosa e que foi perseguida por um homem encapuzado e revela ainda a matrícula de um carro que, supostamente, andará a rondar as residências [de estudantes].

Termina, assegurando que uma “rapariga foi violada (...) e tem havido muitas tentativas de violação”.

Outras publicações falam mesmo de raptos.

Questionada sobre a veracidade destes alertas, a PSP de Leiria refere desconhecer quaisquer denúncias formais sobre os assuntos em questão.

Aliás, a força de segurança acaba de publicar na rede social Facebook um comunicado onde afirma que “desde o início do ano lectivo, não existe registo de qualquer crime de violação, tentativa de violação ou assédio, como é sugerido nas publicações”.



Mesmo assim, deixa vários conselhos às jovens, entre eles, memorizar no telemóvel em marcação rápida o número 244 859 859 e a eventuais testemunhas a denúncia destes casos.

“Não recebemos queixas, embora seja um assunto que não deixaremos de investigar”, responde o comissário André Serra, responsável pela esquadra de Leiria. 

Também o Politécnico de Leiria garante que não teve conhecimento destas situações e que “não recebeu qualquer denúncia formal relacionada com questões de segurança”.

Fonte: PSP

Mensagens semelhantes todos os anos por esta altura
O presidente da Associação de Estudantes da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (AEESTG) de Leiria, um estabelecimento do Politécnico, recorda que tem havido casos de mensagens deste tipo no início do ano lectivo, nas redes sociais.

“As histórias contadas [todos os anos] são semelhantes, o que não invalida que se esclareça a sua autenticidade”, diz Joel Rodrigues, especialmente porque causam alarme social e “deixam as jovens, estudantes ou não, em pânico”.

O responsável esclarece que irá propor, em conjunto com o politécnico, que haja uma reunião com as forças policiais para perceber o que, realmente, se passa.

“Se se passar alguma coisa, que se aja, se não se passar, deveríamos fazer uma campanha de esclarecimento junto das alunas.”

O presidente da AEESTG lembra ainda que, em breve, estará a votação uma proposta do Orçamento Participativo para melhorar iluminação na Rua General Norton de Matos, junto às residências universitárias. 

O próprio politécnico esclarece que foram criados mecanismos de segurança em torno “dos seus campi e das suas residências, nomeadamente através da melhoria do sistema de iluminação pública e de serviços de vigilância” e que “todas as residências de estudantes do Politécnico de Leiria têm sistemas de controlo de acesso electrónico, vigilantes e equipamentos de videoporteiro”.