Sociedade
Projecto do Politécnico de Leiria pretende melhorar acesso e adesão à reabilitação respiratória
Proposta passa por um modelo híbrido, que combina sessões presenciais com acompanhamento remoto através de tecnologia digital
Duas investigadoras do Politécnico de Leiria estão a desenvolver um projecto para melhorar o acesso à reabilitação respiratória em Portugal, uma área onde a resposta continua a ser insuficiente para muitos doentes.
Joana Cruz e Sandra Neves lideram o SCALE UP (Scaling up Pulmonary Rehabilitation uptake and adherence: co-design and implementation of a hybrid intervention), uma iniciativa que pretende facilitar o acesso, aumentar a adesão e garantir a continuidade dos benefícios da reabilitação respiratória, especialmente junto de pessoas com doenças respiratórias crónicas.
A proposta passa por um modelo híbrido, que combina sessões presenciais com acompanhamento remoto através de tecnologia digital. “Queremos criar uma intervenção centrada na pessoa, mais flexível e adaptada às necessidades dos doentes”, afirma Joana Cruz.
Numa fase inicial, o projecto foca-se em pessoas com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), uma das patologias respiratórias mais prevalentes e incapacitantes. No entanto, a ambição é alargar esta solução a outras condições respiratórias no futuro, acrescenta Sandra Neves.
O acesso à reabilitação respiratória em Portugal é muito reduzido. Estima-se que apenas entre 0,5% e 1% dos doentes consiga beneficiar destes programas. Entre os principais obstáculos estão a distância aos centros de reabilitação, dificuldades de transporte, horários incompatíveis e a falta de recursos nos serviços de saúde. Joana Cruz e Sandra Neves avançaram para a investigação com o objectivo de ultrapassar alguns destes constrangimentos.
O modelo híbrido “introduz maior flexibilidade e acessibilidade, reduzindo barreiras como a deslocação e a rigidez dos horários, sem comprometer a segurança, a qualidade e os princípios fundamentais da reabilitação respiratória”.
Na prática, os participantes irão alternar entre sessões presenciais, para avaliação e treino supervisionado, e sessões realizadas em casa, acompanhadas à distância por profissionais de saúde através de uma plataforma digital. Esta ferramenta permitirá monitorizar a evolução dos doentes e ajustar os planos de intervenção em tempo real.
O projecto aposta também numa abordagem participativa, envolvendo profissionais de saúde, instituições e utentes no desenvolvimento da solução. Numa primeira fase, está a ser feito o levantamento das principais necessidades, seguindo-se a criação e teste de protótipos.
Está ainda prevista a realização de um estudo Delphi com especialistas internacionais, para definir os elementos essenciais de um programa híbrido de reabilitação respiratória, bem como garantir a sua segurança e sustentabilidade tecnológica.
Com uma duração prevista de três anos, o SCALE UP é financiado pelo programa COMPETE2030 – Portugal 2030 e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, com um investimento de cerca de 250 mil euros.
O projecto envolve uma equipa multidisciplinar de três unidades de investigação do Politécnico de Leiria, nomeadamente ciTechCare, LiDA e CIIC.