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Prémio Inovação e Criatividade da APOM (com vídeo)

14 jun 2018 00:00

Museu Municipal de Ourém - Casa do Administrador

Jacinto Silva Duro

O Museu Municipal de Ourém - Casa do Administrador é um núcleo museológico inaugurado em 2009, localizado na antiga habitação de Artur Oliveira Santos, fervoroso republicano, muito conhecido pelas "estórias" à volta do interrogatório feito aos três videntes de Fátima, em 1917. Há duas semanas, o espaço foi distinguido com o Prémio Inovação e Criatividade, pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM), pelo projecto de uma mesa digital, integrado na exposição temporária Crianças entre Crianças - Os Pastorinhos de Fátima na Casa do Administrador.

Foi naquele local ali que Jacinta, Francisco e Lúcia, os três pastorinhos, estiveram alojados, com a família dos administrador, enquanto eram questionados sobre as visões na Cova da Iria, de 13 para 15 de Agosto de 1917. "Retirámos, intencionalmente, o peso do interrogatório e trabalhámos a exposição numa perspectiva mais ligada à família", explica Ana Saraiva, da autarquia de Ourém.

Foi assim que nasceu a ideia de criar uma mostra com um objecto central, a mesa, onde o administrador e a família se sentavam e partilham refeições e histórias do quotidiano. Através de tecnologia de videomapping, foram criados conteúdos sobre o contexto histórico, religioso e local, de há 100 anos.

O papel do núcleo como espaço educativo para os públicos mais jovens, assenta na premissa de que o concelho de Ourém é um território difuso e que mesmo a geologia e a geografia se reflectem na economia, gastronomia, arquitectura e cultura. É como se a casa fosse um cartão de visita para o património natural, cultural e edificado concelhio.

À entrada, há uma linha cronológica que revela aos visitantes os principais momentos cronológicos do território. Começa em 1136 data da conquista do antigo castelo de Ourém aos mouros por Afonso Henriques, passando pelo Terramoto de 1755, quando a antiga vila, no morro ao lado da cidade actual, já denotava abandono por parte dos seus habitantes, e ficou praticante destruída. Os oureenses abandonaram o seu ninho de águia e fixaram-se no fértil vale da ribeira de Seiça, na vila nova.

A data do centenário das visões de Fátima, 2017, marca o fim da linha de tempo. Ainda no piso térreo, faz-se uma incursão pelas técnicas construtivas e materiais de construção, retirados do meio envolvente e explica-se como eram fabricados os tijolos de adobe ou se criavam paredes através do sistema de taipas.

No patamar no topo das escadas para o primeiro andar, faz-se uma nova viagem no tempo até à Primeira Grande Guerra e a 1917, data das visões na Cova da Iria. "Explicamos o contexto das Aparições e não o episódio que aconteceu com os pastorinhos, pois Fátima já faz isso muito bem", sublinha Ana Saraiva.

O século XX foi de provações várias e de epidemias, que vitimaram boa parte da população. Entre as pandemias, referem-se a febre aftosa e a gripe pneumónica que havia de ceifar Francisco e Jacinta. Sob uma vitrina, há mesmo o assento de óbito da pastorinha.

A figura do antigo proprietário do imóvel, Artur Oliveira Santos, é também desmistificada e mostra-se o homem de valores sólidos, o pai de oito filhos, o republicano convicto, o dono de uma latoaria em Ourém, o jornalista e o político. Chega-se por fim à premiada exposição temporária, denominada Crianças entre crianças, os Pastorinhos de Fátima na Casa do Administrador.

Inaugurada no âmbito do centenário das visões, estará patente até Outubro de 2019. Uma grande mesa, rodeada de brinquedos antigos, domina o espaço. Vários pratos, uma toalha branca e um grande jornal, também em branco esperam pelo visitante. O espectáculo de videomapping começa e, num ambiente quase familiar, ouve-se o ecoar dos passos no soalho de madeira e o riso de crianças.

Apenas com imagens projectadas na mesa mostram-se fotografias, recortes de jornais

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