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Pombal, Mealhada e Coimbra mandam na longevidade das discotecas do Centro

21 jan 2019 00:00

"Inventei o nome para parecer bonito e fácil de divulgar. A coisa pegou: era o palácio do último grito, Palace Kiay", afirma, com orgulho, o proprietário.

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Das dezenas de discotecas que existiam nos anos 1980 na região Centro, são poucas as que hoje mantêm um funcionamento regular e que continuam a atrair clientes nacionais e estrangeiros.

Em Meirinhas, a cerca de 12 quilómetros de Pombal, situa-se um caso de longevidade quase ímpar no "campeonato" das discotecas que mantêm as portas abertas: a Palace Kiay vai a caminho dos 37 anos de existência e os proprietários - Jorge Duarte (na foto) e a mulher, Lara Prince - apontam a persistência, a perseverança, o gosto pela gestão daquele espaço de diversão e o investimento constante na inovação como segredos para manter a discoteca em funcionamento.

"Não tinha experiência nenhuma em discotecas. Só como frequentador", recorda à agência Lusa Jorge Duarte, que se lançou no ramo com 22 anos. Ainda hoje, com 58, quando a festa termina, é ele que habitualmente fecha a porta da Kiay.

"Estar presente é muito importante: o que faz uma casa é ter os donos presentes. A não ser que seja um McDonalds, mas mesmo assim é preciso umas vistorias de vez em quando", diz o proprietário, com o pragmatismo de mais de três décadas de gestão.

A localização da Palace Kiay - construída de raiz, por Jorge Duarte, em 1982, num terreno contíguo ao restaurante do pai, junto à antiga Estrada Nacional 1, hoje IC2 - também beneficiou o negócio.

"Quando arrancámos, a discoteca era muito boa: moderna, com tecnologia à frente para a época e espaço inovador. Mas ajudou que a estrada nacional fosse a única ligação entre Lisboa e Porto. Toda a gente tinha de passar aqui à frente. Pode parecer que não, mas é uma mais-valia", assinala.

Desenhada a partir do zero pelo próprio Jorge Duarte - "aparentemente correu bem", argumenta - ganhou fama e ainda hoje chega longe o nome da Palace Kiay. A designação é a conjugação de duas ideias: palácio, "porque na época privilegiava-se muito o luxo nas discotecas", e Kiay, uma adaptação do proprietário a partir do nome de uma discoteca de Paris, "Kai", que tinha como tema artes marciais e significava "último grito".

"Inventei o nome para parecer bonito e fácil de divulgar. A coisa pegou: era o palácio do último grito, Palace Kiay", afirma, com orgulho, o proprietário.

Também em França, a Palace Kiay é conhecida: implantada em Pombal, zona de forte emigração, apostou sempre na promoção em Paris e, até hoje, a discoteca abre todos os dias nos meses de Agosto, com DJ e música francesa, a pensar na comunidade emigrante que faz férias em Portugal.

Comparando com o que se passava há 30 anos, nos dias de hoje muita coisa mudou na diversão nocturna: se nos primeiros tempos, o mesmo DJ estava de serviço três ou quatro anos e os clientes "iam pelo espaço", actualmente Jorge Duarte diz que é preciso pensar num conceito e em convidados diferentes todas as semanas, porque "há muita oferta e o cliente não fideliza", mesmo que se para saborear a nostalgia dos primeiros tempos, a Palace Kiay promova, duas a três vezes por ano, a festa K80.

Com um escorrega famoso que desce do último andar à entrada, quatro espaços distintos e capacidade para cerca de duas mil pessoas, a discoteca de Meirinhas caracteriza-se por ser intergeracional.

"A nossa clientela envolve já pais e filhos e, um dia destes, netos. É um ambiente diferente e isso é que a torna especial", explica Jorge Duarte.

Mais a norte, junto à mesma estrada nacional 1, na Mealhada, a Três Pinheiros é contemporânea da Palace Kyay (abriu dois anos antes, em 1980) e outro exemplo de longevidade, tendo preci

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