Sociedade

Pombal diz-se discriminado face a Leiria por não ter obras no IC2

13 abr 2017 00:00

No último ano o IC2 deixou de ter pontos negros no troço que atravessa o distrito de Leiria, de acordo com os critérios da Autoridade Nacional para Segurança Rodoviária.

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Paula Sofia Luz

A estrada continua a matar, a deixar muita gente incapacitada, sequelas para toda a vida nos que têm o azar de a apanhar numa hora má: a maioria dos acidentes acontece em pleno dia e resulta de colisão, mas há uma percentagem significativa de despistes e atropelamentos que mancham de sangue os 25 km que atravessam o concelho de Pombal, mais de metade da extensão total no distrito de Leiria: 40 km de IC2, a antiga estrada nacional nº 1, construída pelo Plano Rodoviário Nacional de 1945, para ligar Lisboa ao Porto.

Os protestos são uma constante ao longo das últimas décadas, à medida que as populações foram assistindo aos acidentes e às mortes.

No concelho de Leiria, um forte movimento social no facebook, no outono de 2014 (na sequência da morte de uma jovem bastante conhecida na cidade); evoluiu para uma marcha lenta/ paralisação, de carro e a pé, juntando cerca de 10 mil pessoas.

Meses depois, era colocado o separador central e alguns pinos, o que revelou resultados positivos imediatos na sinistralidade, pelo menos naquele troço do concelho de Leiria. Ainda assim, o problema está longe de ser resolvido. De acordo com as Infraestruturas de Portugal (IP), o IC2 atravessa o distrito de Leiria em 40 km.

No início deste ano, a IP fez saber aos autarcas a intenção de avançar com obras nas áreas de “segurança, drenagem, sinalização e pavimentação ao longo de 30 km, num investimento de 18 milhões de euros”, tal como confirmou esta semana ao Jornal de Leiria fonte daquela empresa pública.

E terá sido esse anúncio – e a consequente falta da intervenção reclamada para os 25 km do concelho de Pombal – que despoletou a indignação, a norte do distrito. A 27 de março, autarcas da Câmara e juntas de freguesia do concelho circularam em marcha lenta pelo IC2, num protesto anunciado.

O presidente, Diogo Mateus, tornou público o descontentamento frente às câmaras de televisão: “o que pretendemos é que a circulação se possa fazer em segurança, nas vias que são interceptadas, e que o trânsito de peões se possa fazer em segurança também; que o conjunto dos investimentos seja plena mente conhecido e haja uma planificação com as autarquias, para podermos trabalhar em conjunto”. Acredita então que “que vai haver resposta da IP.

Estamos aqui a tratar de um assunto de enorme justiça, é preciso um tratamento de igualdade”, reclamou várias vezes. Até agora, não se conhece qualquer reacção das Infraestruturas de Portugal.

45 mortes em 10 anos
Desde 2005 que o presidente da junta de Vermoil (uma das freguesias onde continuam a morrer pessoas no IC2) dava conta dessa luta, amiúde.

Desde que foi eleito, há três mandatos, garante ter feito “vários contactos com a Direcção de Estradas de Leiria. A desculpa era sempre a mesma - falta de dinheiro”. Segundo Ilídio Mota, A gota d’água aconteceu em Dezembro, com a morte de uma idosa em Matos da Ranha, quando regressava da missa.

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