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Peça infantil falada em galego estreia em Portugal na Arquivo

21 fev 2019 00:00

Teatro | Os Fura Bolos levam A Fronteira à livraria de Leiria, para falar de tolerância

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Jacinto Silva Duro

 

Soldadinho: Daquela, non podes pasar! Sen un salvoconduto
ninguén pode cruzar a fronteira.
Sahara: Pero se esta vedação non estaba aí! Acábala de colocar
ti! Vinte eu.
Soldadinho: E que máis ten! As fronteiras cambian con rapidez,
hoxe pode estar aquí e manhá noutro lugar.
Sahara: E iso como pode ser?
Soldadinho: Cando un país se fai máis forte que os demais
conquista os estremeiros para crescer e volverse aínda máis
poderoso. Pois... como facemos nós cos balões! (xesticulando)
Se tes moita forza podes soprá-los e crescem ata facerse
grandes. Aos países pásalles o mesmo.
Sahara: Co tempo todos os balões ficam sem ar.

A Fronteira é uma peça de teatro infantil (+6 anos) da companhia de teatro da Galiza Os Fura Bolos, sobre a guerra e as novas fronteiras. É falada em galego, idioma perfeito para ilustrar o problema da divisão de povos, das fronteiras e da tolerância, já que é uma língua tão semelhante à nossa que há quem considere que ainda são a mesma.

O espectáculo passa, este mês, pelo nosso País em três datas, em Leiria e em Lisboa. Na cidade do Lis, será no dia 23, sábado, às 17 horas, na livraria Arquivo, e a entrada será livre. Em Lisboa, poderá ser vista, nos dias 24 e 25, na Casa do Coreto, em Carnide.

A tragédia da guerra na Síria foi o motivo que inspirou o dramaturgo galego Carlos Labraña a escrever uma história para crianças sobre um tema de adultos, difícil de explicar aos mais novos.

A Fronteira, inspirada no livro O Valo [a cerca ou vedação, em galego], é uma peça dramática sobre a injustiça, a luta contra o fecho de fronteiras e a necessidade de diálogo para encontrar uma solução que permita a coexistência em respeito pelas culturas”, explica Fausta Cardoso Pereira, a produtora em Portugal deste trabalho que foi premiado, em 2016, com o Prémio Manuel Maria, de Literatura Dramática Infantil, pelo Instituto Galego das Artes Escénicas e Musicais.

A produtora recorda que conheceu o autor do livro, que também é actor e encenador da peça, em Santiago de Compostela, capital da Galiza, e assistiu aos ensaios. “Gostei tanto que decidi arriscar e trazê-la para cá.”

A passagem por Leiria prende-se com as origens familiares na região de Fausta Cardoso Pereira, também ela uma escritora premiada na Galiza, com o Prémio Antón Risco, de Literatura Fantástica.

“Destaco nesta peça a simplicidade com que se fala de um assunto sério e a capacidade de atingir vários públicos com o mesmo texto. Além disso, a delicadeza do texto e a sua assertividade e, por fim, a língua! O galego misturado com um toque de árabe. É uma peça sem fronteiras!”, garante.

Por ser falada em galego, entende que a peça estabelece, também, o reencontro entre a língua portuguesa e a sua origem galaico-portuguesa. “A língua, comum a Portugal e Galiza até ao século XIII, soa familiar e divertida aos ouvidos das crianças, que a vão interpretando com a ajuda da linguagem corporal dos actores e com o movimento de objectos.”

Um dia, um soldadinho cria uma nova cerca no meio do deserto
Mas como se conta esta história, em apenas 60 minutos, numa época onde alguns dos mais poderosos líderes mundiais falam mais em construir muros do que em estabelecer pontes? Precisamente, a partir de uma vedação. De um “valo”.

Um soldadinho cria uma nova vedação – uma fronteira - no meio de um deserto e impede

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