Sociedade

Passado negro faz temer novos projectos urbanísticos em Leiria

7 dez 2017 00:00

Num momento em que Leiria se prepara para ver nascer uma nova urbanização, aprovada pela Câmara para a zona de Porto Moniz, o JORNAL DE LEIRIA recorda outras fases de expansão da cidade, que, quase sempre, envolveram muita controvérsia.

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Maria Anabela Silva

É uma das principais entradas/saídas de Leiria, mas não se apresenta como um digno cartão de visita da cidade. Falamos de Porto Moniz, uma zona que, nos últimos anos, viu acentuar a sua degradação, com o encerramento de várias empresas, como a Auto-Leiria e o posto de combustível existente nas imediações, e a falta de intervenção no espaço público.

Um retrato que irá mudar no curto e médio prazo, com a concretização de obras e projectos em curso. Nas antigas instalação da Auto- -Leiria está a nascer uma superfície comercial, com Pingo Doce e McDonald's, enquanto para o outro lado da rotunda, numa parcela de terreno da antiga prisão-escola, a Câmara tem projectado um parque de estacionamento com capacidade para cerca de 400 viaturas.

Encostado à A19, avançará a construção de um hospital privado (uma unidade CUF, do Grupo Mello) e uma nova urbanização com quase 500 fogos.

A aprovação deste loteamento, que na semana passada recebeu luz verde da Câmara, abrirá portas à concretização de um parque urbano, que ficará a curta distância do tão desejado Jardim da Almoinha, cujas obras deverão iniciar-se em breve.

O novo parque, associado à urbanização agora aprovada, ocupará cerca de 17 hectares nas traseiras do Aki, e nascerá em terrenos não urbanizáveis cedidos pelo promotor do loteamento.

A concretização dos projectos previstos para Porto Moniz permitirá requalificar uma zona degradada da cidade, que corresponde também a uma das principais portas de entrada/ saída de Leiria.

Poderá ainda aproximar a urbanização de Santa Clara à cidade, que, com a construção da A19, ficou isolada, por via pedonal, sem qualquer acesso ao outro lado da auto-estrada, nomeadamente, ao Campus 2do Instituto Politécnico e ao LeiriaShopping.

As próprias escolas do IPL, com a expansão da cidade para Porto Moniz, ficarão também mais próximas da urbe.

Pode, no entanto, haver o reverso da medalha, antevendo-se que, se não forem tomadas medidas adequadas, a nova ocupação daquela zona traga problemas acrescidos ao nível, por exemplo, do trânsito, agravando os congestionamentos já existentes em hora de ponta.

O caso Marquês de Pombal

A propósito da transformação em curso em Porto Moniz, o JORNAL DE LEIRIA recorda outras fases de crescimento da cidade, que, quase sempre, tiveram muito polémica à mistura e que fizeram correr muita tinta.

Um dos processos mais controversos foi o da Avenida Marquês de Pombal, apontado como um dos exemplos mais flagrante do “caos urbanístico” que marcou a expansão de Leiria nas últimas décadas.

Era para ser uma “zona nobre” da cidade, mas acabou por se transformar num “emaranhado de construções”, através, por exemplo, da ocupação de espaços que inicialmente estavam destinados a áreas verdes ou equipamentos e que acabaram tomados pelo betão.

“[na Marquês de Pombal] Há um pouco de tudo. Temos garagens que apenas existem no papel ou que foram, efectivamente, construídas mas onde não cabe um carro”, refere um antigo vereador.

Houve também quem comprasse um apartamento com “zona verde à frente e dos lados” e acabasse “apenas com betão” como vista e chegou a construiu-se um bloco extra entre dois que estavam no loteamento aprovado.

Polémica foi também a edificação das Galerias de São José e do edifício onde está o Tribunal de Trabalho, cujo alinhamento avançou em relação aos restantes blocos.

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