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Palavra de Honra | O mundo não seria melhor se dançássemos com mais regularidade?

9 mar 2026 09:21

Tomás Silva, músico

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- Já não há paciência... para política... descreio nela a um ponto que já se torna mesmo difícil levar qualquer coisa relacionada com ela a sério, penso que por vezes a piada se faz sozinha...

- Detesto... oportunistas, simpatia por conveniência, o sorriso rasgado de quem quer sempre arrancar algo de cada interação e relação para proveito próprio.

- A ideia... de que há possibilidade de mudar o mundo, não consta nas minhas crenças, estamos destinados a fracassar repetidamente neste quesito, trata-se de um barco há muito velejado.

- Questiono-me se... o mundo não seria melhor se dançássemos com mais regularidade.

- Adoro... cantar, em todo o lado, a toda a hora, por vezes para o infortúnio das pessoas que passam muito tempo comigo, rappar também

- Lembro-me tantas vezes... das coisas que não fiz, com uma raiva inútil, mas ensina-me que quando der por mim decrépito a contemplar o que me resta, que o que me vai assombrar vai ser sempre o que não fiz.

- Desejo secretamente... fugir, sair um dia com a bagagem necessária, e levar-me ao extremo numa opcional e decadente caminhada pelas ruas infinitas deste mundo, cantando e escrevendo até que a força se esgote, e um dia voltar, porque isto é tudo muito bonito, mas eu gosto da minha cama

- Tenho saudades... dos olhos joviais que nos presenteiam quando somos crianças, a beleza da descoberta, o derradeiro espetáculo da vida, que é belo sem tentar, mas que se enegrece ao longo da vida e nos atormenta enquanto se distancia da nossa realidade.

- O medo que tive... mostrou-me que por medo não fazemos muita coisa, e que a vida é se não uma constante superação de todos os nossos medos, não os levemos muito a sério, e há que tirar proveito deles.

- Sinto vergonha alheia... quando dou por mim no meio de um debate político, uma autêntica perda de tempo.

- O futuro... assusta, a minha fraqueza dificulta a minha crença em tempos melhores, mas continuarei a fazer o que devo fazer, confiando nas minhas mil facetas e no meu cérebro dançante para me darem tudo o que necessito.

- Se eu encontrar... o Bob Dylan na rua, agradeço-lhe, mesmo sabendo que ele não se podia estar mais a marimbar para mim.

- Prometo... nunca fazer algo que não faria apenas por dinheiro, nunca ligar muito ao que os outros dizem, e não parar de criar enquanto tal fizer sentido.

- Tenho orgulho...
 da pessoa que me tornei, é como o realizar de um sonho, o meu eu de há 6 anos nem sonharia onde isto ia parar, praticamente tudo o que quis fazer quando jovem faço finalmente, vem aí o meu primeiro álbum e, possivelmente, o meu primeiro livro, ainda este ano, esperemos, apressar não será necessário.