Viver
Palavra de Honra | “Aprendemos todos uns com os outros e isso é tão bom”
Diana Figueiredo, directora artística da Casa Varela
Já não há paciência... para ouvir o “Desculpa, ando a mil!” Que chatice! Ainda mais porque esta frase se pega como as pastilhas à sola dos sapatos. Não andamos a mil, ninguém está para apanhar multas, mas uma ou outra vez lá calha, mas não é sempre. Andamos descontrolados com o tanto que queremos fazer e viver, são tantas as prioridades que parecemos uma roda gigante no meio de uma feira. Falta-nos respirar fundo e priorizar o que tem mais sentido para nós e para quem precisa de nós.
Detesto... Rotundas! Sempre que me deparo a chegar a uma rotunda (que são raras as vezes) já sei que estou prestes a odiar alguém! As regras são tão simples, e quando parece tudo muito alvoroçado devia prevalecer a lei do bom senso e não da ganância. Faz-me lembrar o PACman, todos querem ser os primeiros a entrar e os primeiros a sair sem se deixar comer por alguém.
A ideia... de escrever cartas de papel e caneta a quem Amo, não me sai da cabeça!
Questiono-me se... tivesse nascido homem, se pensava assim tanto e com tanto pormenor??
Adoro.... mergulhar no meio do oceano, onde se vê a terra ao longe e a linha do horizonte. Nadar e nadar, livre e com silêncio.
Lembro-me tantas vezes... das pessoas da avenida onde cresci, a Nossa Senhora de Fátima nos anos 90. Dos índios da rua, dos sons, dos códigos de quem se avizinhava. Da roda que se fazia à volta de quem se magoava de forma a que os pais não soubessem, dos sons das casas dos lados, dos pais a ralhar, esperando que chegasse a minha vez!
Desejo secretamente... ser uma velhinha encantadora e cheirosa! Envelhecer de mão dada com o Amor e com o humor. Adormecer eternamente a saber que deixei alguém feliz.
Tenho saudades... de não ter noção do tempo, de não perceber a quantas andava até que alguém me dissesse “chegou o dia de...!”
O medo que tive... quando fui para o liceu no 7.º ano de ser apanhada pelo gang de mariachis que apanhava os recém-chegados, os convidava a ir até às casas de banho, lhes punham as cabeças nas sanitas e puxavam o autoclismo.
Sinto vergonha alheia... quando alguém não assume que não sabe alguma coisa. Não temos de saber tudo. Aprendemos todos uns com os outros e isso é tão bom!
O futuro... ponho-me a pensar e a imaginá-lo muitas vezes, é impossível deixar de o fazer. Por vezes ponho-me a tentar adivinhar e até faço apostas comigo mesmo, mas já percebi que não tenho jeito. Zero dom de vidência!
Se eu encontrar... o David Bowie convido-o para dançar comigo a “Modern love” mas com a Zaho a cantar para nós. E se o Fernando Pessoa passar por nós ainda lhe peço para escrever um poema sobre esta loucura.
Prometo... não prometer mais, que não como mais doces e que é só mais um bocadinho desta vez!
Tenho orgulho... das pessoas que adoro e de quem me foi possível conhecer, tenho orgulho de quem me rouba sorrisos genuínos, que planta raízes, dos que decidiram partilhar comigo o mundo para sempre.