Desporto

Pai constrói círculo no quintal de casa para o filho poder continuar a lançar

25 abr 2020 15:57

Solução caseira permite a Francisco Calhau, jovem lançador da Juventude Vidigalense, contornar confinamento

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Com a chegada da pandemia, os jovens atletas deste País ficaram impedidos de aceder aos habituais locais de treino. O atletismo, em teoria, até poderia parecer a modalidade que mais facilmente consegue contornar esta dificuldade.

As corridas, de facto, podem ser feitas na rua – desde que salvaguardada distância salubre relativamente ao resto da população - mas e os saltos? E os lançamentos? Para grandes males, há sempre um pai disposto a fazer o filho feliz.

O peso, mas sobretudo o disco, o martelo e o dardo precisam de muito espaço para serem praticados em segurança. Por isso, por estes dias, o jovem grupo de treino, sem o Centro Nacional de Lançamentos disponível, têm sentido algumas dificuldades para pôr a mão na massa. Para Diogo Correia, treinador do sector de lançamentos da Juventude Vidigalense, fazer passar a mensagem à distância tem sido um desafio.

Conversando pelo WhatsApp, partilhando vídeos no YouTube, o técnico tem tentado fazer passar a mensagem. A rapaziada cumpre e continua a treinar quatro a cinco vezes por dia.

Segue os planos do treinador, mas como não pode utilizar os engenhos, a parte técnica tem-se limitado aos “imitativos”, com “meias velhas”. “Filmam a técnica, enviam-me e depois eu dou o feedback”, explica Diogo Correia.

Mas há uma bela excepção. Um destes dias, Francisco Calhau foi acordado pelo pai. “Anda lá fora ver uma coisa”, disse-lhe então o progenitor. Estremunhado, com o sol da manhã a bater-lhe nos olhos, nem queria acreditar. O pai tinha construído no quintal um “espectacular” círculo. “Bué de fixe”, disse então, agradecido.

“Já tinha falado com o meu pai, porque achei que era uma maneira mais fácil de treinar lançamentos em casa. Pelos vistos, achou boa ideia”, conta o rapaz, que agora já não precisa sair de casa, em São Jorge, Porto de Mós, para poder fazer o que mais gosta.

“Temos um terreno com uns cem metros de comprimento e ele lançava à vontade, mas como o piso era em touvenant, que não é adequado, resolvi apanhá-lo de surpresa”, conta João Calhau, o pai, pedreiro de profissão, para quem executar aquele círculo não teve grande ciência.

“Fiz em madeira, que é mais plano, e têm o diâmetro de 2,10 metros, como os oficiais, que é para ele saber que é ali que tem de parar.”

Para Francisco, o atletismo começou aos 12 anos, pelas corridas, seguindo as pisadas do irmão João, mas não era bem aquilo que queria. Quando o meteram a lançar percebeu que tinha encontrado a vocação. “Na primeira vez que foi a uma prova de lançamentos ficou em segundo e nunca mais quis correr”, recorda o progenitor.

Também faz disco, mas prefere o martelo. Foi, até, terceiro classificado no último Nacional de juvenis, apesar de ainda ter 14 anos, idade de iniciado. De resto, tem uma admiração especial por Rúben Antunes (esse mesmo, o da foto pequena na peça ao lado), atleta do Sporting que treina com Paulo Reis em Leiria.

Aluno do 8.º ano no Instituto Educativo do Juncal, Francisco tem agora um círculo, que utiliza “quase todos os dias”, com engenhos artesanais. “Fiz-lhe dois discos no torneiro. Martelos é que é mais complicado, só mesmo comprando. Mas pronto, pelo menos já tem com que se entreter. Hoje em dia, quem lhe tira o atletismo tira-lhe tudo.”

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