Viver

Páginas de histórias que não se fazem de datas e batalhas

8 jan 2018 00:00

Cadernos de Estudos Leirienses | Esta é uma colecção essencial para quem se interessa pelas questões da identidade, da história e das gentes do distrito de Leiria e territórios adjacentes.

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Jacinto Silva Duro

Literatura, ambiente, ciências, história, arquitectura, personalidades locais e artes encontram refúgio nestas páginas. 

Os Cadernos de Estudos Leirienses devem ser um dos melhores e maiores segredos escondidos à vista de todos no distrito de Leiria e regiões limítrofes.

Nas seis mil páginas já publicadas, guarda-se um verdadeiro repositório de conhecimento multidisciplinar sobre este território, as suas pessoas, e as terras adjacentes com as quais as comunidades locais mantiveram contacto ao longo dos tempos.

Tem uma dissertação de mestrado, uma tese de doutoramento ou uma paixão pela genealogia da sua família e gostaria de a publicar e mostrar ao público? Então estes cadernos podem ser a resposta para esse desejo. A colecção criada pela editora de Leiria Textiverso é um agregador dos elementos que constituem a identidade das cidades e vilas do distrito.

Em cada um dos 14 cadernos publicados até agora, vários investigadores contribuíram com trabalhos seus, sobre temáticas relevantes para o conhecimento universal, sempre com um selo de qualidade conferido pela supervisão científica do medievalista e historiador da Universidade de Coimbra Saul António Gomes.

"A história não se faz apenas de datas e batalhas, mas também da vida de pessoas. Falar do ambiente, arquitectura ou do desporto também é importante e dever-se-ia abordar essas áreas do conhecimento, quando se fala da identidade de um território", afirma o responsável pela Textiverso, Carlos Fernandes.

Cada artigo desta compilação é uma caixinha de surpresas. Neles, há trabalhos sobre o Mosteiro da Batalha que são matéria completamente original, que altera o que se sabia sobre o monumento, sobre a sua construção e sobre os seus famosos grafitti.

O contributo para a história e identidade da região faz-se, nas páginas dos Cadernos de Estudos Leirienses, a partir de episódios mais conhecidos, como o relato das Invasões Francesas, aos menos falados, como a agricultura na Marinha Grande, passando pelos costumes da região e pelo desporto

O mesmo acontece com o sistema hidráulico e arquitectónico do Mosteiro de Alcobaça. E há abordagens a questões mais pragmáticas como a agricultura na Marinha Grande. Afinal, a população que trabalhava o vidro com saber e perícia também tinha de cuidar das suas hortas e animais, já que a localidade dista alguma distância de Leiria e do fértil vale do Lis.

Quando tocava a sirene para a mudança de turnos, os vidreiros dos século XIX e XX trocavam as cinzentas calças, a camisa azul como o mar profundo e o lenço vermelho de sangue, pelas roupas de agricultor e a cana para soprar vidro, pela enxada, no esforço de semear e plantar para comer em terrenos arenosos que, à partida, apenas serviam para dar sustento ao extenso pinhal.

Nas páginas da compilação, encontramos também abordagens diferentes aos factos que fazem a história da região. É o caso da investigação de Alda Gonçalves sobre a história do Desporto.

Segundo ela, a mulher do arquitecto Ernst Korrodi, o responsável pelos estudos que levaram à reconstrução do Castelo de Leiria, era uma caçadora exímia e praticante certeira de tiro ao alvo e, se isso não bastasse, Quitéria da Conceição Maia, professora do Ensino Primário, costumava "escandalizar" as mentalidades da Leiria do início do século XX, ao deslocar-se para todo o lado de bicicleta.

O Norte do distrito, território que hoje se encontra largamente desabitado, apesar do seu isolamento, conta com uma história laboriosa e industriosa, assente nas fábricas de tecido, ferrarias e até fábricas de armamento, e Caldas da Rainha e a Figueira da Foz estão ligadas pela passagem de refugiados na Segunda Guerra Mundial.

Da Benedita, pode ler-se as histórias dos seus famosos sapateiros. Estas e muitos outros episódios que fazem a História podem ser encontrados nestes cadernos que estão à venda em várias livrarias de Leiria, de Lisboa, do Porto, nas bibliotecas da maioria das autarquias da região e nas da Universidade de Coimbra e da Universidade Católica Portuguesa.

Da literatura ao desporto
Temas ligados à literatura, ao ambiente, às ciências, ao desporto, à história, à arquitectura, às personalidades locais ou às artes encontram refúgio nas páginas desta compilação que, desde Maio de 2014, é publicada e que têm já mais três volumes previstos para este ano.

"São cadernos com um peso histórico, mas com vertentes que não excluem dimensão alguma", conta o coordenador. E para publicar trabalhos de pesquisa na colecção da Textiverso não é preciso possuir um “canudo”, basta dominar bem o assunto, referir as fontes convenientemente e com solidez documental, e, acima de tudo, apresentar rigor e honestidade.

Para garantir a qualidade dos trabalhos publicados, a editora convidou o investigador da Universidade de Coimbra Saul António Gomes para, na qualidade de coordenador científico, dar o seu aval aos documentos submetidos para publicação.

“Este investigador é um dos melhores medievalistas portugueses vivos, é natural de Leiria e conhece a história da região e dos seus protagonistas."

As propostas podem ser enviadas por email ou abordando directamente a editora de Leiria que também convida eventuais colaboradores a apresentarem trabalhos.

Traçar um perfil dos colaboradores é tarefa difícil uma vez que há pessoas de quase todas as idades e sexos, com formações que vão do doutoramento, ao mestrado ou licenciatura, aos aficionados pelos temas sobre os quais pretendem pronunciar-se.

Recentemente, os cadernos incluíram artigos de um jovem do ensino secundário mas também há colaborações de investigadores com muitos pergaminhos na "profissão".

"Seleccionamos assuntos pela sua pertinência, pela sua originalidade e relevância para o distrito de Leiria e territórios limítrofes, como Ourém/Fátima ou mesmo concelhos do distrito de  

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