Sociedade

Luís Carlos Santos: “O Reguengo do Fetal não é só uma procissão. É preciso vir aqui para sentir o potencial da sua natureza”

30 set 2026 09:00

Eleito pela primeira vez em 2025, o jovem autarca de Reguengo do Fetal, no concelho da Batalha, é um defensor do diálogo e da acção. Num ano atribulado, conseguiu apresentar alguns resultados e mostra energia e ideias para continuar a inovar e a valorizar a freguesia

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Claúdia Gameiro

Aos 38 anos, Luís Carlos Santos é um filho amado da sua terra. Empresário no ramo da construção civil, percebeu o impacto que a habitação pode ter na atracção da população jovem e quer continuar a lutar por esse tipo de dinamismo. O turismo ligado ao desporto de natureza e à valorização da paisagem serrana estão entre os seus planos de promoção do território, sem esquecer o potencial já criado pela Festa de Nossa Senhora do Fetal e a sua procissão dos caracóis. Na freguesia de Reguengo do Fetal, a aposta está focada na atracção das novas gerações.

Está a completar-se um ano sobre as eleições autárquicas, sendo este o seu primeiro mandato como presidente de junta de freguesia. Que balanço faz? É um balanço um pouco atribulado, devido ao que se passou com a tempestade [Kristin]. Dentro do primeiro ano, poucos meses depois de entrarmos, conseguimos fazer uma Aldeia Natal, que não existia. No prazo de duas semanas conseguimos realizar [o evento]. O feedback foi muito bom. Conseguimos reunir associações, que era o nosso objectivo: que as associações interagissem e cada uma oferecesse alguma coisa à comunidade. A calamidade atrasou-nos alguns processos. Temos a situação do apoio jurídico, que foi uma coisa que eu quis implementar para pessoas que tenham coisas para tratar e muitas vezes não tenham as informações adequadas. Está a decorrer com a Ordem dos Advogados para termos tudo em dia. Situações dentro da valorização do património: algumas placas de sinalização, percursos do Buraco Roto, tentar valorizar ao máximo, e a questão da limpeza, que é muito importante. Falamos da parte de resíduos, dos contentores com muito lixo. Depois da calamidade foi o caos e os lixos continuam em grande quantidade. Eu já falava no Eco Parque e estamos a trabalhar nesse sentido, para conseguirmos colmatar esta situação.

O que me pode adiantar sobre o Eco Parque? Estamos a dar passos nesse sentido, a tentar chegar junto das entidades. Tivemos várias reuniões com a Câmara. As coisas estão num trajecto agradável. Estamos a avaliar os terrenos da Junta. A parte principal é não ficar perto de nenhuma casa, para que quem viver perto do Eco Parque não se sinta prejudicado.

Recolha de monos? Monos… Como eu disse, depois da calamidade tivemos contentores de entulho junto aos ecopontos da Valorlis e isso ajudou muito, porque as pessoas metiam tudo no lixo. Nada melhor que um espaço vedado, com uma câmara e dentro dos perímetros legais. Mesmo não sendo o dia inteiro, porque teríamos que ter uma pessoa, ter dias específicos, como acontece nos Pousos… Eu, como tenho uma empresa de construção, costumo utilizar outros pontos aqui no distrito e faz todo o sentido. É algo que eu achava muito importante e agora, mais do que nunca, quero implementar.

Falou na tempestade Kristin. Como é que a freguesia viveu o fenómeno em Janeiro? Foram noites mal dormidas, muitas vezes no terreno a tentar chegar onde conseguíamos. Penso que, de uma maneira geral, conseguimos chegar a muito lado. Aqui na Junta de Freguesia tentei logo meter um gerador, para pessoas que não conseguissem carregar os telemóveis poderem avisar as famílias. Foi o ponto que eu achei que fosse mais importante: um sítio aberto com algum ponto de carregamento de electricidade. Nestes protocolos que vieram, as juntas vão ter direito a um gerador, mas esta Junta já tinha um. Tivemos cerca de três pessoas desalojadas. Tentámos chegar o mais rapidamente possível, com a ajuda incansável da parte da acção social da Câmara. Aqui o concelho da Batalha fez um trabalho soberbo! Nos Bombeiros fizemos um posto principal e conseguimos adquirir uma Starlink para termos todos os meios operacionais. Acho que foi uma resposta rápida. Dentro daquilo que aconteceu, a calamidade, acho que conseguimos juntar forças e dar a volta à situação.

Ao fim destes nove meses, ainda persiste algum problema: árvores por limpar, falhas de internet? Falhas de internet. Tem sido o ponto principal, ao nível das operadoras. Isso é uma coisa que nós, mesmo mandando e-mails constantemente, fazendo reuniões na Câmara Municipal, persiste. Ao nível de árvores e limpeza: foi muita coisa feita. Tivemos muita ajuda dos militares, dos bombeiros, do associativismo, dos escuteiros, empresas. A haver alguns pontos de árvores, são sobretudo em propriedades particulares, em que, como Junta de Freguesia e concelho, fica difícil intervir.

Quais as prioridades para este mandato? A freguesia do Reguengo do Fetal já tem uma história, uma tradição. Mesmo com a situação da procissão dos caracóis, que é agora dia 26, sábado, o que eu costumo dizer é: o Reguengo do Fetal não é só uma noite, não é só uma procissão. A procissão vê-se, mas é preciso vir aqui para sentir. São 365 dias por ano e o Reguengo do Fetal é mais que a procissão, tem a parte da natureza, da escalada, Buraco Roto, Pia da Ovelha… Há muita coisa a preparar para receber as pessoas. Para as pessoas se focarem e, quando passarem, terem sítios para se sentirem bem.

O que gostaria de fazer dentro dessa proposta de estimular mais a vertente da natureza? Temos pontos cruciais. A escalada já é um ponto conhecido. Vem muita gente a nível nacional, mas é necessário conseguir que as pessoas fiquem, provem as iguarias locais e conheçam o Reguengo do Fetal.

Quais os pontos fracos da freguesia? Neste momento, aqui, falando no Reguengo do Fetal, porque na restante freguesia estes pontos já estão resolvidos, a fibra. Não se percebe. Temos aqui o centro de saúde, o café, empresas e muitos negócios locais, alojamentos, pessoas que até trabalham a partir de casa: o ponto está cheio, a caixa está cheia, não abre. Já houve abaixo-assinados, já houve reuniões marcadas na Câmara em que eu estive presente e [as entidades] não apareceram para dar aqui uma resposta. Quando não aparecem a uma reunião marcada e que sabem que é importante porque há muita gente a trabalhar a partir de casa, temos cada vez mais… Se a minha ideia é fixar os jovens, sem internet, sem estabilidade, não conseguimos. Acho que é o ponto mais fraco.

O que gostaria de avançar no próximo ano? Com a calamidade houve uma cratera gigante no Buraco Roto. Neste momento, não conseguimos aceder à parte da escadaria. Sendo uma obra que a Câmara tem que avançar, o que a Junta pode fazer é cooperar para que as coisas avancem o mais rápido possível. O meu foco passa por aí. Sabendo que é um ponto tão turístico e que vem tanta gente visitar, é tentar colmatar esta situação.