Desporto

O nosso homem na Fórmula 1

7 set 2017 00:00

Competição. É um desporto que apaixona milhões, custa milhões mas também dá milhões de lucro. O “grande circo” é a prova rainha do mundo automóvel e, desde o início do ano, conta com um jovem engenheiro da Marinha Grande nas fileiras da Williams.

Jacinto Silva Duro

Nicha Cabral, Pedro Matos Chaves, Pedro Lamy, Tiago Monteiro e, agora, Alexandre Caseiro Santos. A Fórmula 1 conta, desde o início deste ano, com mais um nome com origem em terras lusas.

Até pode parecer que tem “cara de miúdo”, mas tal como Pedro Lamy, o autor da célebre frase, também é “muito rodado” e gosta de conduzir depressa. Natural do concelho da Marinha Grande e com apenas 24 anos, este engenheiro que se formou no Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) é agora um dos “trunfos secretos” com que a Williams - e os pilotos Felipe Massa e Lance Stroll - contam para levar a célebre equipa britânica até aos primeiros lugares do pódio.

Como? Ajudando a desenvolver o actual carro de competição e, mais importante ainda, o bólide que, na temporada de 2018, vai acelerar pelas pistas do circuito mundial do “grande circo” e transformar todas as curvas em rectas percorridas em altas velocidades.

Alexandre Santos é simulation engineer na equipa de machine design, da scuderia fundada por Frank Williams e Patrick Head. Admite que, desde muito pequeno, sempre gostou de carros, mas cuja primeira paixão foram as duas rodas – primeiro as bicicletas e, mais tarde, o enduro, que praticava com o pai.

No entanto, foi a ambição e a obstinação de sonhar sempre mais alto que o levaram até a uma das mais antigas e bem sucedidas equipas de Fórmula 1, juntamente com a Ferrari e McLaren. A Williams conta com 114 vitórias em Grandes Prémios, nove vitórias como campeã de construtores e sete de pilotos.

A vertigem da velocidade e os “combates”, ao milésimo de segundo, entre pilotos, muitas vezes da mesma equipa, ferem de morte o coração de milhões de aficionados em todo o mundo. E Portugal não é excepção.

Não queima pneu no asfalto quente das pistas, como Lamy ou Monteiro, mas Alexandre acelera para lá do limite, nos circuitos virtuais. “Desenvolvo modelos em software de simulação dos mais variados sistemas, para que se consiga prever o comportamento do carro em pista.

Outra das minhas funções é utilizar esses modelos para ajudar os engenheiros de corrida, para que, mesmo antes de carro entrar em pista, ele esteja o mais perto possível da afinação considerada óptima”, explica.

No dia-a-dia, é frequente cruzar-se e trabalhar com algumas figuras famosas da modalidade “rainha” do desporto automóvel. Sir Frank Williams é uma das presenças constantes na fábrica onde são produzidos os carros e está sempre disposto a dar dois dedos de conversa para explicar este ou aquele detalhe ou contar uma história.

A maior parte das vezes, porém, os contactos são com engenheiros (re)conhecidos como Paddy Lowe – director-executivo técnico da Mercedes AMG Petronas Formula One Team, até Janeiro deste ano - , ou Rob Smedley, actual chefe de desempenho da Williams Martini Racing Formula One, e antigo engenheiro de pista do piloto brasileiro Felipe Massa, quando este estava na Ferrari.

“É bastante inspirador trabalhar com pessoas que já alcançaram tanto neste desporto. Estão sempre dispostas a ajudar a melhorar e tornar-te um melhor engenheiro. No entanto [na equipa da Williams], há também pessoas incrivelmente talentosas mas que, pelas mais variadíssimas razões, não são tão mediáticas, mas que são igualmente inspiradoras.”

Gaffes? Não estou autorizado a partilhá-las
Mesmo para alguém como Alexandre, que já tinha passado pela Motorsport Engineering – Oxford Brookes Engineering e pela Jaguar Land Rover, quando se é o novato num novo posto de trabalho, independentemente da idade, há sempre muito a aprender, entre novos processos e métodos.

E isso pode levar a algumas confusões e situações engraçadas… quando se olha para elas com alguma distância temporal. O simulation engineer da Williams admite que houve algumas gaffes e deslizes, no início, mas que não está autorizado a divulgálos. “Houve uma ou ou

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