Desporto

O dilema de um ciclista de múltiplos talentos

9 fev 2018 00:00

Guilherme Mota começou no cross country, onde brilha, mas também é campeão nacional de ciclismo... de estrada. Aos 17 anos tem de tomar decisões rapidamente, mas não sabe ainda que rumo dar à carreira.

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Dezassete anos, a idade de todas as escolhas. Muitas delas vão condicionar de forma concludente todo o nosso futuro. Uma delas é o curso superior que vamos seguir, se queremos fazer algo que gostamos, mas que não nos permitirá enriquecer, ou algo que não gostamos tanto assim, mas que nos vai encher os bolsos de dinheiro.

Este é um dos dilemas de Guilherme Mota: ainda não sabe o que quer seguir quando, no final do ano lectivo, tiver de fazer opções. É um fantástico aluno no Colégio de São Miguel, em Fátima. No entanto, há mais um grande impasse na vida deste jovem da Caranguejeira.

É que além de ser um bom estudante é, também um atleta excepcional… em duas variantes completamente diferentes do ciclismo. No ano corrente, Guilherme terá de tomar decisões: vai apostar tudo no cross country ou vai fazer-se à estrada de forma definitiva?

A paixão pelas duas rodas começou em 2013, era então titular indiscutível nos escalões jovens de futebol da União da Serra. Só que sempre que via o pai sair com os amigos para uma volta de bicicleta pelos estradões da região ficava sempre roído de inveja.

Ainda tentou conciliar as duas actividades, mas rapidamente percebeu que não queria as pernas para correr em direcção à baliza adversária, mas antes para pedalar, pedalar e pedalar.

“Uma vez, no ano em que comecei, era Inverno e fazia muito frio. Saí, tinha muito pouca roupa, fiz uns cinco quilómetros até à Curvachia e liguei ao meu pai para me ir buscar, que estava congelado”, conta, com um sorriso de quem já não comete esse tipo de erros.

Decidiu largar de vez o futebol e começar no BTT do Leiria e Marrazes. “Logo na primeira competição, num encontro de escolas a nível nacional, fiz um terceiro lugar e nesse mesmo ano consegui a minha primeira vitória, em Avis, num circuito que pertence ao calendário da Taça de Portugal.”

Dois anos depois, o rapaz venceu a Taça de Portugal de cadetes e o destino estava traçado. Guilherme Mota ia seguir os passos do olímpico e quase vizinho e “mentor” David Rosa e tornar-se num atleta de excepção no que ao cross country dizia respeito. O problema é que começou a competir em estrada e os resultados não foram piores.

E chegámos a 2017, um ano verdadeiramente para jamais esquecer. Comecemos pelo cross country: venceu duas das provas da Taça de Portugal e só não conseguiu levar o troféu final devido a vários azares mecânicos, mas também conseguiu um top 25 numa Taça do Mundo, tendo competido em várias provas internacionais com as cores de Portugal.

Na estrada, envergando as cores do Alcobaça Clube de Ciclismo, sagrou-se campeão nacional júnior em ano de estreia e foi segundo na classificação da juventude da Volta a Portugal. “Os da estrada puxam-me para a estrada, os do BTT puxam-me para o BTT. E eu fico ali no meio, a pensar no que hei-de fazer. É um bocado ingrato.”

Já percebeu os motivos para tantas dúvidas? Então fique a saber que já este ano, em Janeiro, se sagrou campeão nacional de ciclocr

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