Desporto

Nuno Cardoso: “Teremos de ter melhores infra-estruturas, porque não se fazem milagres todos os dias”

5 out 2017 00:00

É o novo presidente da União de Leiria e parte para este mandato com objectivos bem definidos.

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É, desde sexta-feira passada, o presidente eleito da União Desportiva de Leiria, derrotando uma lista encabeçada pelo presidente da SAD. Foi uma vitória esperada?
Sim, pela resposta que fomos tendo ao longo do tempo que antecedeu o processo eleitoral. Houve uma forte adesão ao projecto e à mensagem que fomos passando.

O que vos moveu para avançar com a candidatura aos órgãos sociais do clube?
Procurar dar dimensão ao clube. No fundo, acordar o gigante adormecido que é a União de Leiria.

Concorda que neste momento a União de Leiria é um anão social?
Não diria anão. Chamar-lhe ia antes um fidalgo antigo, daqueles que vive num castelo, mas se calhar tem dificuldades em pagar a conta da luz.

O que é preciso mudar nesse fidalgo antigo?
Começámos a trabalhar há dois dias e ainda estamos a conhecer os cantos à casa. Estamos a abrir os armários e a ver o que está lá dentro. O que posso garantir é que não temos faqueiros de prata, nem serviços da Vista Alegre. O clube é humilde e está num momento em que precisamos de angariar apoios para fazê-lo crescer. É nisso que estamos focados, para já. Perceber quanto custa o clube em termos mensais, que rendimentos tem e ver de que forma podemos suplantar esse défice, procurando ter algum apport financeiro que permita resolver algumas coisas que estão para trás.

Entrou ou estará para entrar no clube dinheiro relativamente à venda de Bruno Jordão para o Braga e depois para a Lazio. Também é previsível um negócio de milhões envolvendo Jan Oblak, em que 0,5% da transacção será creditada à União de Leiria. É esta previsível fartura que vos motivou?
De todo. Foi perceber que era agora ou não era mais. Pensámos que era o momento certo para abraçar a União de Leiria e procurar que apareçam mais 'Brunos Jordões'. Claro que muito nos agradaria que o Oblak pudesse ser transferido, porque o clube precisa de um balão de oxigénio que permita a quem o gere poder largar algum lastro que vem agarrado.

A prioridade seriam as infra-estruturas? Podemos perceber que o Leiria e Marrazes, por exemplo, está prestes a poder treinar em dois campos sintéticos.
A grande diferença não está nos clubes, mas nas juntas de freguesia. O Leiria e Marrazes e o GRAP utilizam infra-estruturas cedidas pelas juntas e a União de Leiria nada tem, só um campo em Santa Eufémia, porque foi onde nos abriram as portas. Agora, todos sabemos que a questão dos espaços desportivos em Leiria não é só para futebol, é para quase todas as modalidades. Não é um problema de hoje e nós, que somos novos, teremos de perceber qual a melhor maneira de tentar encontrar alguma ajuda para dotar o clube de melhores condições. Quando dissemos na campanha que queremos trazer receitas extraordinárias para o clube, elas advirão de uma formação de qualidade, que poderá e deverá ser potenciada pela SAD. Mas teremos de ter melhor infra-estruturas, porque não se fazem milagres todos os dias. Quem, hoje, incorpora jogadores no futebol de alta competição são os clubes que têm excelentes condições de trabalho. A União de Leiria tem, obrigatoriamente, de crescer nesse sentido.

Como vê o momento do futebol de formação?
Os clubes em Portugal estão a trabalhar bem e o reflexo são os resultados das selecções jovens. São maioritariamente constituídas por jogadores de Benfica, FC Porto e Sporting, mas a rede de observadores chega à Académica, ao Braga, ao Guimarães, ao Setúbal, a clubes suíços, franceses e holandeses. Infelizmente, a União de Leiria não tem tido jogadores com presença assídua e regular, apesar de sabermos que no clube e na região existem jogadores com qualidade. A nossa preocupação tem de ser conseguir que a União de Leiria volte a ser o clube de passo intermédio para aqueles que não conseguem de forma directa passar para os grandes. Agora, por que há-de vir um miúdo da Marinha Grande, onde há uma série de campos, jogar e treinar para a União de Leiria, onde tem de treinar num terço de campo e partilhar o relvado com quatro equipas? Claramente, tem de ser essa a nossa preocupação: cativar, não apenas pela parte competitiva, mas também pelas condições de trabalho.

No vosso projecto falavam de uma aposta em novas modalidades.
Temos vontade de crescer e está nos nossos planos uma ligação com a sociedade que não seja exclusivamente através do futebol. Infelizmente, foi nisso que o clube se fechou nos últimos anos. Até ao fim do mês haverá novidades e aproveitamos para lançar o repto a pessoas que tenham projectos e os queiram apresentar à União de Leiria. Estamos receptivos. É dessa forma que os clubes crescem e se cria a ligação às pessoas e à cidade. Tudo neste momento é importante para dar dimensão.

A palavra-chave é dinamismo.

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