Economia
Embalagem do Futuro lança certificação que afere sustentabilidade da embalagem
Chama-se Neopacks e foi apresentado na Logipack, em Lisboa. É um sistema de verificação e certificação de sustentabilidade para o ramo da embalagem, com auditoria independente da SGS
Não basta dizer que uma embalagem é sustentável, é preciso prová-lo. É desta premissa que surgiu o Neopacks, sistema de verificação e certificação apresentado na Logipack, em Lisboa.
Foi desenvolvido no âmbito da agenda mobilizadora Embalagem do Futuro, que é liderada pela Vangest, da Marinha Grande e tem parceiros como a Nerlei CCI - Associação Mepresasrial da Região de Leiria - Câmara de Comércio e Indústria.
Devido à exigência, por parte das grandes cadeias de distribuição, de garantias aos fornecedores e os consumidores desconfiam de alegações ambientais vagas. O referencial alinha-se com as normas europeias de reporte de sustentabilidade e com o PPWR, o regulamento das embalagens que começou a aplicar-se em Agosto.
“Hoje qualquer empresa pode dizer que é sustentável. O difícil é prová-lo”, afirma Henrique Carvalho, director executivo da Nerlei e membro da comissão de acompanhamento da Embalagem do Futuro. “Com o Neopacks, as empresas passam a ter critérios claros e uma verificação independente para mostrar o que fazem, não só nas embalagens, mas em toda a organização.”
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Três passos e uma auditoria
O percurso tem três etapas. Primeiro, a empresa faz uma auto-avaliação do seu desempenho.
Depois, traça um plano para melhorar o que ficou aquém. Por fim, submete-se a uma auditoria independente da SGS Portugal.
Tudo decorre numa plataforma digital, com perfil da empresa, histórico rastreável e apoio de inteligência artificial na análise das evidências.
O que é avaliado divide-se por áreas. Na ambiental, a energia, a água, as emissões, os materiais e os resíduos.
Na social, as condições de trabalho, a saúde e segurança, os direitos das pessoas e a relação com a comunidade.
Na governação, a gestão, a ética, a conformidade, o investimento, a inovação e a viabilidade económica.
A agenda apresenta a viabilidade económica como uma quarta dimensão, acrescentada aos três pilares, com o argumento de que a sustentabilidade tem de ser viável para quem a pratica.
Os critérios estão adaptados a cada processo produtivo e abrangem plástico, papel e cartão, vidro, metal, madeira e cerâmica.
O sistema nasceu do PPS18, a frente de trabalho da agenda dedicada à certificação.
A SGS Portugal assegurou o enquadramento técnico, a Nerlei acompanhou o trabalho enquanto parceira da agenda e a identidade visual da marca foi desenvolvida pela Younik Brand Thinkers. Na sessão de apresentação, aberta por Henrique Carvalho, Ricardo Duarte, co-fundador da agência, mostrou essa identidade, e António Ferreira Dias, responsável pela área digital e de inovação da SGS Portugal, explicou o enquadramento da certificação.
“Uma certificação só tem valor se for exigente e transparente”, afirma António Ferreira Dias. “Foi com essa preocupação que definimos os critérios do Neopacks, para que o selo signifique de facto alguma coisa para quem o vê numa embalagem.”