Sociedade
Museu do Casal de Monte Redondo precisa das novas gerações para manter a sua missão
O museu é composto por cerca de 2.500 objectos organizados por colecções de actividades económicas (agricultura, marcenaria, tecelagem, resinagem, sapataria e afazeres domésticos), procurando ser demonstrativo do meio onde existe.
Fundado em 1981 e gerido pela Associação de Defesa do Património Cultural de Monte Redondo, o Museu do Casal de Monte Redondo sofre os efeitos da passagem do tempo e da inevitável ruralidade. Com visitas pontuais e uma actividade modesta desde a pandemia, quem gere o património defende a necessidade de atrair as camadas jovens para a coordenação da estrutura. A ambição continua a ser manter a instituição como um pólo de divulgação científica.
O museu surgiu no âmbito das investigações e do percurso académico do professor universitário, arquitecto e antropólogo cultural Mário Moutinho, que viveu a infância e juventude em Monte Redondo, começa por recordar ao JORNAL DE LEIRIA o presidente da Associação, João Moital. “Fez os estudos em França e, ao ingressar no meio académico português, em vez de fazer uma monografia, como outros na época, fez o Museu”, explica.
O espólio resultou de um trabalho de recolha e preservação patrimonial que envolveu muita da população local no início dos anos 80, que se uniu em torno do projecto de criação de um museu etnológico. Acabaria assim por receber o nome de Casal de Monte Redondo, numa alusão ao território que no século XII incluía também as freguesias de Carreira e Bajouca.
Actualmente, o espaço possui, além das exposições, uma biblioteca e reserva técnica, mas é visitável somente com contacto prévio. Segundo João Moital, pontualmente têm recebido visitas de excursões, mas os números mensais de visitantes são bastante reduzidos.
“É fundamental rejuvenescer as pessoas” ligadas à Associação de Defesa do Património Cultural de Monte Redondo, defende, por forma a dar vida e continuidade ao espaço. Recentemente, refere, o museu deu abrigo a um estudo sobre resinagem e, outrora, chegaram a publicar trabalhos de cariz científico. É nessa linha, defende o responsável, que o museu ambiciona continuar a posicionar-se. “Não nos preocupa que seja um polo turístico. É mais um meio de preservar a vida local e de ser um centro de conhecimento científico”, explica.
Com 45 anos de actividade, já foi espaço de vários eventos e mantém a sua ligação com a comunidade. Mas desde a pandemia, reitera, a dinâmica tem sido reduzida