Sociedade

Muros de pedra da Serra Sicó, um património ameaçado

9 dez 2017 00:00

Os característicos muros de pedra da Serra de Sicó estão a desaparecer, na sequência do abandono dos campos, mas também devido ao alargamento de caminhos

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Maria Anabela Silva

Pedra sobre pedra, sem qualquer elemento de ligação. Nem barro, muito menos cimento. Apenas a força braçal e muita técnica na colocação dos sedimentos. Assim se construíram, ao longo dos séculos, os característicos muros do carso de Sicó, que estão a desaparecer, em consequência do abandono do mundo rural, mas também de furtos e da retirada de pedra para outras construções e de demolições para o alargamento de caminhos.

As associações ligadas ao património defendem, por isso, uma maior sensibilização para a importância deste património e a criação de medidas e de apoios que promovam a sua preservação.

Arqueóloga e vice-presidente da Al-Baiäz – Associação de Defesa do Património, sediada em Alvaiázere, Catarina Mendes não tem dúvidas que este traço identitário de Sicó “está ameaçado”, sobretudo, devido ao abandono dos campos e despovoamento das aldeias.

“O abandono leva à degradação”, afirma a técnica, frisando que, ao facto de “não haver quem recupere”, há a acrescentar as destruições que se fazem “a coberto” de obras de reabilitação. “Deita-se abaixo, para reconstruir com outros materiais, como tijolo e cimento”, constata.

O problema, alega Sérgio Medeiros, do GPS – Grupo de Protecção e Sicó e que, profissionalmente, está ligado a um gabinete de projectos, é a “ausência de regulamentação que proteja os muros tradicionais”, em sede de regulamentos de urbanização e de edificação.

“Em alguns municípios, esta questão está omissa e, naqueles onde até há algumas regras, falta fiscalização”, lamenta o técnico, para quem os regulamentos deviam ser “mais específicos” na obrigatoriedade de as reconstruções respeitarem os muros tradicionais.

A título de exemplo, Sérgio Medeiros refere o Regulamento Municipal de Urbanizações e Edificações de Pombal, que, sobre os sistemas de vedação pré-existentes, determina que “deverão ser mantidos e recuperados” aqueles que tiverem construção tradicional e que se localizam dentro da Rede Natura.

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