Sociedade

Morreu António Arnaut, "pai" do Serviço Nacional de Saúde

21 mai 2018 00:00

"O principal inimigo do SNS é ele próprio não se saber gerir e descambar por caminhos que levam ao seu desprestígio e enfraquecimento".

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O antigo ministro dos Assuntos Sociais António Arnaut, fundador do Serviço Nacional de Saúde e cofundador do PS, morreu hoje em Coimbra, aos 82 anos, disse à agência Lusa fonte dos socialistas.

António Arnaut, advogado, nasceu na Cumeeira, Penela, distrito de Coimbra, em 28 de Janeiro de 1936, e estava internado nos hospitais da Universidade de Coimbra.

Presidente honorário do PS desde 2016, António Arnaut foi ministro dos Assuntos Sociais no II Governo Constitucional, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano e foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade e com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

Poeta e escritor, António Arnaut envolveu-se desde jovem na oposição ao Estado Novo e participou na comissão distrital de Coimbra da candidatura presidencial de Humberto Delgado.

Em entrevista ao JORNAL DE LEIRIA, em Outubro de 2009, António Arnaut acusou a direita de querer ceder aos interesses de grupos económicos e lamentou que haja médicos que acumulem listas de espera para fazerem cirurgias nos seus consultórios privados. 

"Para todos terem acesso aos cuidados de saúde, não pode haver pagamento no acto médico. O pagamento é feito no sistema fiscal. Taxas moderadoras são pagamentos simbólicos que se destinam a moderar o consumo. Sendo assim, não se pode pedir uma taxa moderadora a uma pessoa que vai ao médico e ele mandaa ficar internada. Isso não actua sobre a vontade dele, é determinação do médico. Por isso, estas taxas moderadoras são aberrantes e contraditórias", adiantou.

Para António Arnaut, "o principal inimigo do SNS é ele próprio não se saber gerir e descambar por caminhos que levam ao seu desprestígio e enfraquecimento".

"No SNS há algumas deficiências de gestão, mas houve mesmo tentativas de gestão dolosa, para desacreditá-lo."