Desporto

Mil dias no fim do mundo. E o fim do mundo é Vestmannaeyjar

29 dez 2016 00:00

Em Agosto de 2013, a andebolista de Leiria Telma Amado resolveu partir à procura de uma carreira internacional. Foi em Vestmannaeyjar, uma remota ilha a 30 minutos de ferry da Islândia, que encontrou equipa, mas também uma realidade surpreendente.

Fotos: DR
Foto: DR
Foto: DR
Foto: DR
Foto: DR
Foto: DR
Foto: DR
2
2
2
Jacinto Silva Duro

A Islândia está na lista de viagens a fazer para muitos portugueses. “Paisagens incríveis”, auroras boreais, a Lagoa Azul, as cascatas, os campos de lava e a natureza em estado puro são pontos de atracção para uma semana de novidade.

Mas já se imaginou a viver no mais remoto recanto daquele remoto país em que os elementos parecem conspirar? Há uma menina de Leiria que há mais de três anos disse sim ao desafio.

Por esta altura do ano, os dias em Vestmannaeyjar, são curtos. Tão curtos que Telma Amado nem vê a luz do Sol. O amanhecer é por volta das 11:30 horas e anoitece às 15, um período em que a andebolista de Leiria está a trabalhar, tomando conta de um jovem deficiente motor, a actividade que lhe ocupa o tempo entre os treinos.

O dia-a-dia é radicalmente diferente daquele a que a rapariga estava habituada. Praia, sol, calor, amigos, família e jantaradas? Só nas recordações mais felizes. Foi uma aventura que começou em Agosto de 2013, quando um agente convidou esta ex-atleta da Juventude do Lis para uma experiência internacional.

A única proposta que tinha era proveniente da Islândia. Não de algum clube da capital Reykjavík, mas de um emblema de um arquipélago de 14 pequenas ilhas, onde a pesca, sobretudo do bacalhau, é o motor de toda a economia local.

“Nem pensei muito”, admite Telma Amado, de 27 anos e licenciada em Marketing. “As perspectivas de evolução não eram muito grandes no que tinha em Portugal. Por isso, o mais que podia acontecer era correr mal – não gostar ou não receber – e ter de comprar um voo para regressar.” Pegou nas malas, foi e (ainda) não regressou.

Telma partiu acompanhada de outra portuguesa, Vera Lopes. Foi “uma segurança”, porque a Islândia era um admirável mundo novo, de frio, de vento e de costumes diferentes. Os mimos da mãe e do pai, esses, ficaram em Portugal e vão sendo atenuados pelas redes sociais, a principal companhia naquele fim de mundo.

Desportivamente, as diferenças foram “brutais”. O andebol é “mais agressivo, mais duro e mais rápido” do que em Portugal. “Pensei em desistir logo na primeira partida de preparação”, admite a pivot. “Quase que chorava a meio do jogo, porque já não aguentava os meus braços de tão negros. Pensei que aquilo não era para mim.”

Aguentou-se, mas, como é fácil de perceber, Vestmannaeyjar não é propriamente animada e “não há muitas jogadoras islandesas dispostas a jogar lá”. Em dois meses, Telma percebeu que não podia ficar quieta à espera que chegasse a hora do treino no Íþróttabandalag Vestmannaeyja (IBV).

As colegas de equipa tinham a vida delas e na ilha, com pouco mais de 4 mil habitantes, só existe um café, três restaurantes, uma pizzaria, dois supermercados, três bombas de gasolina e... “nada para fazer”.

Leia mais na edição impressa ou torne-se assinante para aceder à versão digital integral deste artigo.