Desporto

Marinhense prepara revolução para festejar o centenário em grande

29 mar 2018 00:00

Protocolo com um grande clube espanhol, criação de uma SAD, equipas de formação entre as melhores nacionais e a equipa sénior na 1.ª Liga, com as forças da cidade a apoiar. É assim que o AC Marinhense pretende comemorar o centenário.

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Faltam cinco anos. Parece muito tempo, mas as épocas passam a correr. Os dirigentes, há mandato e meio à frente dos destinos do clube, não querem que o emblema da Portela seja mais um no panorama futebolístico nacional e resolveram traçar algumas metas para que 2023 seja passado de forma gloriosa.

O Atlético Clube Marinhense vai celebrar o centenário e, se tudo correr como foi delineado, a festa será de arromba. Como cereja no topo do bolo, a equipa sénior de futebol estará na 1.ª Liga.

O trabalho até agora realizado orgulha a Direcção, mas os responsáveis sentem que chegaram a um ponto em que estão limitados. “Queremos crescer, mas não podemos fazê-lo sozinhos.” Por isso, terá de haver, já a partir do início da próxima temporada, uma “reformulação em todo o clube”, sublinha João Mendes.

O vice-presidente acredita que muito foi realizado desde que a equipa liderada por Mário Fernandes tomou posse, mas muito haverá ainda a fazer. Sobretudo, dar um toque profissional ao clube.

“Tendo em conta o investimento que fizemos e todo o empenho da Direcção, composta por mais de vinte elementos, chegámos a um ponto em que sentimos necessidade de fazer uma análise ao que temos feito. Todos nós temos empresas, damos muito do nosso tempo ao clube e percebemos que com um pouco mais de recursos poderíamos fazer muito mais do que fazemos.”

Os dirigentes lançaram, então, um projecto para o centenário. Pensaram quais seriam os objectivos principais para esse centenário e chegaram a várias conclusões. Começando pelos mais novos, os miúdos que frequentam a academia Portelinha, que serão os principais beneficiários de um acordo que “só falta pôr no papel e assinar”.

Protocolo com um grande clube espanhol

“O Marinhense procurou, mas não em Portugal, porque o Sporting, o Benfica e o FC Porto têm protocolos que são, na nossa opinião, pouco ambiciosos. O que nós queríamos era um clube internacional que nos projectasse. Procurámos um parceiro, explicámos o que queríamos fazer, tanto ao nível da formação, como do futebol sénior. Houve vários interessados, mas decidimo-nos por um clube que tem a mesma cultura, que aposta muito na chamada cantera.”

João Mendes ainda não pode revelar o nome do emblema espanhol com quem o Marinhense está a finalizar um compromisso, mas é um daqueles enormes, conhecido em todo o mundo pelas suas conquistas. O objectivo passa por beber desse clube a forma de trabalhar nos escalões de formação, adaptada, naturalmente, às idiossincrasias locais.

O alvo primordial deste protocolo será o futebol de base, dos 4 aos 13 anos, com estágios, torneios, intercâmbios e formação de treinadores, mas também contempla eventuais empréstimos de atletas seniores e juniores.

“Queremos fazer quase tudo de novo, começar do zero”, sublinha o responsável, que quer tudo pronto no início da próxima temporada e aponta para os 350 atletas em 2023. “Temos lacunas graves no processo de treino, no modelo de formação e até mesmo na instrução dos técnicos. Essa vai ser a maior aposta que o clube vai fazer. Temos um acordo com três elementos que trabalharam directamente com clubes grandes - o coordenador exercia funções semelhantes no Sporting - para ajudar a montar o novo modelo de formação, uma nova forma de treinar e com novos comportamentos.”

Equipas de formação nos campeonatos nacionais

O passo a seguir às escolinhas é o futebol de formação, dos iniciados aos juniores. Neste âmbito, o objectivo do Marinhense “passa por consolidar todas as equipas nos campeonatos nacionais e tornar normal a passagem às segundas fases”. Quanto à equipa de juniores, que esta temporada é candidata forte à subida à 2.ª Divisão nacional, a meta é “consolidá-la na 1.ª Divisão, a ombrear com clubes de renome nacional”.

O objectivo é ter um misto das políticas formativas dos principais rivais: a União de Leiria e a Academia do Sporting da Marinha Grande. “Queremos ter uma espinha dorsal criada no clube, desde muito cedo, e depois termos a capacidade para irmos buscar alguns jovens de valor para colmatar as nossas falhas.”

Os ideais competitivos serão transversais a todos os escalões. “Vamos definir objectivos qualitativos em função das idades, tudo dentro do modelo de jogo que o Marinhense terá, semelhante da base até ao topo. Estaremos a trabalhar para formar gerações para que, no final, entrem na nossa equipa sénior ou, em última análise, sejam vendidos.”

Equipa no novo campeonato de sub-23

A Direcção quer “apostar nos jogadores da terra” e por isso, um novo escalão surgirá. “Este ano, o Marinhense optou por ir buscar alguns jogadores de fora para a equipa sénior. Ponderámos e para nós faz sentido formar um jogador tipo, à Marinhense, com algumas características tipo que torna quase obrigatório que passem pelos escalões de formação para beber dessas ideias. Queremos um jogador combativo, agressivo no bom sentido e com paixão”, explica o responsável.

Para proteger o trajecto desportivo destes atletas no “difícil” salto entre os juniores e o futebol sénior, o clube decidiu avançar com uma equipa de sub-23 já na próxima temporada. “O objectivo é criar um campo fértil para os nossos jogadores que saíram. Queremos recuperá-los e colocá-los a competir nessa nova competição. Para nós é importante, porque é ali que estarão os jogadores que já formámos no passado recente e vão estar a evoluir para que a qualquer momento possam entrar na nossa equipa principal. Por outro lado é a oportunidade de os jogadores nunca saírem do clube para rodar.”

Criação de uma SAD

É expectável que, no início de 2018/19, o Atlético Clube Marinhense já tenha uma sociedade anónima desportiva (SAD). Exigências “naturais” tendo em conta o protocolo que está a ser finalizado e exige a natural entrada de investidores, alguns deles “nomes sonantes” do futebol português, que serão a imagem do projecto. “O projecto é grande, é ambicioso, queremos crescer, mas sozinhos não conseguiremos fazê-lo”, diz João Mendes, que ressalva que o clube “terá sempre maioria do capital social”.

“Muito do que será o Marinhense só será possível com a criação de uma SAD”, processo previamente viabilizado em Assembleia Geral, explica o vice-presidente. “Nunca avançámos porque as abordagens que nos foram feitas nada traziam de novo. O Marinhense não está a procura de um investidor que traga muito dinheiro para o futebol sénior. Não é o que queremos, nós queremos projectos.”

As contas do clube estão “perfeitamente estabilizadas”, com uma “dívida residual, sem expressão”. “Quando chegámos havia meio milhão de euros de passivo. Significa que a consolidação financeira já foi feita, o trabalho da Direcção foi notável e o presidente Mário Fernandes um vencedor. Foi-nos mobilizando e incentivando para fazer melhor todos os dias.”

Festejar o centenário na 1.ª Liga

E pronto, o mais ambicioso dos sonhos fica para o fim. No Marinhense, todos sonham ver clube na 1.ª Liga em 2023. Viável ou não, só o tempo o dirá. Para já, a equipa sénior ainda luta pela manutenção nas competições nacionais, mas João Mendes garante que mesmo com sobressaltos, como o da equipa de juvenis, que acaba de ser despromovida aos distritais, o caminho será para levar até ao fim.

“Fomos buscar um treinador com cartas dadas e que viesse para ficar. Os resultados que poderemos alcançar até final da temporada desportiva não põem em causa, porque entendemos que se trabalharmos com qualidade, no curto e médio prazo, os resultados irão aparecer e a nossa posição nos campeonatos nacionais será consolidada.”

O segredo para levar o plano adiante será a mobilização. “Queremos juntar as pessoas, trazê-las ao estádio e dar a conhecer este novo projecto, um sonho que temos e que culminará com a chegada da equipa sénior à 1.ª Liga em 2023. Outros clubes têm investidores, vão buscar dinheiro a outros países, às vezes nem sabemos bem de onde vem. Queremos fazer diferente e chegar lá pelo conhecimento.”

Condições físicas são factor decisivo
Responsáveis do emblema espanhol visitaram várias vezes a Portela e o complexo desportivo municipal e a abundância de locais para treinar foi determinante para ficarem convencidos.

“O Marinhense tem, na Portela, um campo de futebol de 11 e dois de futebol de sete. O complexo desportivo municipal inclui o estádio, o campo adjacente e ainda o relvado sintético que está em obras e que a curto prazo estará disponível para podermos treinar.

Uma das premissas deste acordo é podermos fazer uso de todos os campos”, sublinha João Mendes que garante que o Marinhense já contactou a autarquia, que “está disponível” para conversar sobre o assunto.
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