Sociedade
Mais de metade de inquiridos considera a Kristin traumática
Quase seis em cada dez pessoas ficaram emocionalmente afectadas, revela um estudo do Politécnico de Leiria
A depressão Kristin, que atingiu o distrito de Leiria a 28 de Janeiro de 2026, deixou marcas profundas na população, não apenas ao nível dos danos materiais, mas também no bem-estar emocional e na confiança nas instituições.
As conclusões preliminares de uma investigação académica a que o JORNAL DE LEIRIA teve acesso revelam que foi uma “experiência traumática” para uma parte muito significativa da população. “Quase seis em cada dez pessoas ficaram emocionalmente afectadas. E mais de metade mantém ansiedade elevada face a novos alertas meteorológicos. A tempestade revelou uma ferida que ainda não fechou”, revela o investigador do Politécnico de Leiria, Ricardo Cavadas.
O estudo insere-se no doutoramento em Marketing e Estratégia que Ricardo Cavadas desenvolve na Universidade de Aveiro, sob orientação dos professores Alzira Marques (Politécnico de Leiria) e António Carrizo Moreira (Universidade de Aveiro/Universidade Aberta), analisou cerca de 700 respostas de residentes do distrito recolhidas entre Março e Maio deste ano, permitindo traçar um retrato detalhado dos efeitos da tempestade e da forma como a crise foi gerida.
Os dados revelam que 71,4% dos inquiridos sofreram danos moderados a totais nas habitações, enquanto 9% perderam completamente as suas casas. Ao nível da actividade económica, 41,1% reportaram prejuízos significativos e quase um terço registou perdas de rendimento.
No que se refere ao impacto no bem-estar pessoal, o documento que obteve 688 respostas válidas do distrito de Leiria, revela que 61,4% dos inquiridos “reportaram impacto elevado ou extremo no risco para a integridade física própria ou da família durante a crise”.
Já 58,5% assumiram “impacto elevado ou extremo no bem-estar emocional”, enquanto 55,8% assumiram “ansiedade meteorológica elevada ou extrema”, com medo de novos alertas e tempestades, e “54,2% tiveram perturbação elevada ou extrema na rotina diária”.
A investigação destaca ainda o impacto prolongado da interrupção de serviços essenciais. Mais de metade dos participantes ficou sem electricidade durante pelo menos duas semanas e quase um terço permaneceu cinco semanas ou mais sem acesso a telecomunicações.
Os dados indicam igualmente que a solidariedade comunitária foi o principal motor da resiliência local. Redes de vizinhança, familiares e grupos de apoio espontâneo tiveram um papel decisivo na recuperação das populações, contribuindo para níveis mais elevados de capital social e qualidade de vida.
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