Desporto

Loucas corridas contra táxis deram-lhe pernas para chegar à Glória

27 set 2019 00:00

Tiago Simões, de Ansião, venceu pela segunda vez a Subida à Glória.

Fotografias: Podium/Paulo Maria

Começou a ser disputada em 1913 e tem a fama de ser a mais curta prova de ciclismo do Mundo. Não é isso, contudo, que torna a Subida à Glória uma simples brincadeira para crianças. Disputada na cada vez mais turística Calçada do Elevador da Glória, trata-se de uma rampa que liga a Baixa de Lisboa ao Bairro Alto.

Não tem mais de 265 metros de comprimento, é certo, mas o declive médio, superior a 17% de inclinação, torna-a numa verdadeira quebra pernas, onde as surpresas acontecem e os amadores conseguem bater de forma inapelável os profissionais.

De tal forma que aqueles que vivem de e para a modalidade têm aparecido cada vez menos. Mas a festa é mediática e não tem perdido brilho por causa disso. Este sábado foi a vez de Tiago Simões voltar a brilhar.

O rapaz de Torre de Vale de Todos, em Ansião, já tinha ganhado em 2017 e desta feita, com a subida escorregadia, voltou a triunfar categoricamente. Ele que é estudante de Biotecnologia em Coimbra, mas também empreendedor, tem 21 anos, e está ligado ao BTT há apenas seis.

Depois da vitória em 2017 e de ter perdido a oportunidade de renovar o título em 2018 por ter metido uma roda nos carris e de o pé se ter soltado do pedal, Tiago Simões queria mostrar quem merece a glória.

O rapaz, actualmente a representar a Vulcal, de Pombal, sabe que tem qualidades inatas para uma tão explosiva prova. “A grande dificuldade é conciliar a tracção com o rendimento. E, desta vez, com a calçada portuguesa a parecer “manteiga” devido à chuva, o trabalho complicou-se para quem não sabe como colocar a potência na estrada.

Tiago tem qualquer coisa a mais, de tal forma que numa prova de explosão se dá ao luxo de fazer jogos psicológicos com os adversários. Aconteceu em Lisboa e também em Coimbra, na subida de Santa Clara, há uns tempos. Os rivais “ficam a ver estrelas”.

“Nas meias-finais e na final ia ao lado do meu adversário até aos dois terços da prova. Quando decidi atacar, mal arrancava, eles ficavam para trás, sem conseguir responder”, explica o ciclista, que apesar dos convites não conta fazer carreira profissional.

O segredo está nos treinos, em pleno trânsito de Coimbra, onde estuda. “Tento seguir os carros, a mais de cinquenta, e às vezes consigo passá-los. Puxa mais do que treinar sozinho. Os taxistas já me conhecem. ‘Lá está o maluquinho a fazer séries’.”

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